Rio de Janeiro

Luan Monteiro: ‘Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence’

A população desarmada fica submetida à violência policial e ao domínio das facções, diz candidato do PCO ao governo

Luan Monteiro, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Rio de Janeiro, defendeu o fim da Polícia Militar e o direito dos trabalhadores de se armarem. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Extra, publicada nesta terça-feira (15).

O militante afirmou que a PM existe para atacar e reprimir os trabalhadores. Para o PCO, a extinção da corporação deve ser acompanhada pelo fim da proibição das drogas, principal fonte de renda das grandes facções criminosas.

No lugar da PM, o porta-voz do Partido propõe que os moradores cuidem da segurança dos próprios bairros. Isso exige que a população tenha o direito de possuir armas e criar organismos locais de defesa.

O povo tem o direito de se defender

Questionado se a medida não fortaleceria as facções, o candidato respondeu que os trabalhadores armados teriam condições de enfrentá-las. “O tráfico cede à pressão ou entra em guerra”, afirmou.

Monteiro observou que muitos integrantes do tráfico vivem nas próprias comunidades e mantêm relações com os moradores. Por isso, uma guerra aberta contra toda a população não seria necessariamente do interesse das facções.

O candidato citou as milícias bolivarianas da Venezuela como exemplo de defesa popular. A população desarmada fica submetida à violência policial e ao domínio das facções. Com os trabalhadores armados, essa relação de forças começa a mudar.

A reportagem do Extra (que pertence à Globo, tão democrática e plural é a imprensa brasileira!) classificou as declarações como “polêmicas”. Também destacou que uma mulher, ao ouvir Monteiro defender o fim da PM e o armamento popular, perguntou qual era o número do candidato para não votar nele.

A imprensa burguesa apresenta o armamento dos trabalhadores como uma ameaça, mas considera natural que a polícia, a guarda particular dos banqueiros e os latifundiários estejam armados. Na prática, defende o monopólio das armas nas mãos dos inimigos da população e um povo vulnerável à opressão e à exploração de classe.

Universidade, futebol e cultura

Na entrevista, Monteiro também defendeu o livre ingresso nas universidades. Ao falar sobre as cotas para “transexuais”, afirmou que esse sistema é apenas um paliativo diante do caráter aburguesado do ensino superior. Enquanto houver cotas, o critério deve ser social.

O candidato criticou ainda as sociedades anônimas do futebol (SAFs). O PCO é contra a entrega dos clubes a empresários que tratam o futebol como negócio privado. O Partido é o único com um programa, inclusive eleitoral, para as torcidas organizadas: que sejam os torcedores e os próprios trabalhadores dos clubes que administrem as instituições esportivas.

Monteiro defendeu mais recursos para o carnaval, o futebol e a cultura brasileira. Ao comentar o apoio de Neymar a Jair Bolsonaro, separou as opiniões políticas do jogador de sua importância para a seleção brasileira. Para ele, exigir que todos os grandes jogadores e artistas sejam de esquerda significa abandonar parte importante da cultura popular.

Ao final, Luan Monteiro resumiu sua candidatura com uma palavra de ordem do movimento operário: “Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence”.

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