Autoridades, promotores e organizadores suspenderam apresentações do músico norte-americano Kanye West, legalmente chamado Ye, em diversos países após declarações do artista. O rapper, produtor musical e estilista nasceu em Atlanta, em 1977, e foi criado em Chicago. Ganhou projeção como produtor da Roc-A-Fella Records e se consolidou como artista solo com The College Dropout, lançado em 2004. Vencedor de 24 prêmios Grammy, tornou-se um dos principais nomes do hip-hop norte-americano.
A turnê europeia foi reduzida por cancelamentos em mais da metade dos países previstos, incluindo Reino Unido, França, Itália, Polônia e Suíça. Também houve suspensões fora da Europa, como na Índia e no Brasil. A apresentação marcada para Madri, em 30 de julho, ainda pode ser contestada por alegações de segurança e ordem pública.
O músico acumulou declarações polêmicas. Afirmou que a escravidão de 400 anos “parece uma escolha” e publicou frases como “eu amo Hitler” e “sou nazista”. Depois, pediu desculpas e afirmou que “palavras não bastam” e que precisaria demonstrar mudança por meio de ações.
No Reino Unido, o governo impediu sua entrada no país em 8 de abril, o que levou ao cancelamento do festival em que ele seria atração principal.
Na Espanha, a apresentação está prevista para o Estádio Metropolitano. O Ministério da Cultura espanhol descartou promover diretamente o cancelamento do show por declarações do artista. O ministro Ernest Urtasun afirmou que não cabe ao ministério suspender um concerto por opiniões de um artista, ainda que tenha rejeitado tais manifestações. Segundo o governo espanhol, a decisão inicial cabe ao promotor privado, salvo se houver fundamento legal concreto. O Atlético de Madri, proprietário do estádio, informou que o promotor espanhol não recebeu notificação de entidade pública que alterasse o plano do evento.
Portugal enfrenta situação semelhante. A apresentação no Algarve, prevista para 7 de agosto, já teve plano de segurança aprovado pela Proteção Civil, mas autoridades nacionais informaram que acompanham a situação e podem adotar medidas caso a avaliação de risco aponte ameaça à segurança nacional ou à ordem pública. A previsão de cerca de 30 mil pessoas e a possibilidade de protestos contra o artista entram nessa análise.
Entidades sionistas continuam pressionando autoridades e organizadores para impedir apresentações. O Congresso Judaico Europeu pediu o cancelamento do show no Estádio do Algarve. Em outros países, protestos, campanhas e decisões de promotores contribuíram para a redução da turnê.



