Desde o dia 13 de dezembro, o índio guarani-caiouá Magno de Souza, ex-candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do estado do Mato Grosso do Sul, está preso na Penitenciária Estadual de Dourados (PED).
A prisão ocorreu de maneira ilegal, sem nenhuma prova ou testemunha contra Magno de Souza, uma liderança da retomada Araticuty, no município de Dourados. Ele é acusado de estupro de vulnerável.
A acusação infundada apresentada pela Polícia Civil e pelo Judiciário sul-mato-grossense partiu de uma denúncia segundo a qual Magno teria atuado contra a sua enteada, de 21 anos, que possui deficiência intelectual. Não por acaso, o processo se encontra em sigilo, sem provas, testemunhas ou qualquer elemento concreto, e nem sequer se permite saber o que está acontecendo de fato contra Magno de Souza.
Joel Pataxó
Outro caso acontece na Bahia, com a liderança histórica Joel Pataxó. No dia 9 de dezembro, uma megaoperação policial foi realizada para prender e reprimir lideranças do povo pataxó, que lutam pela demarcação do território Barra Velha do Monte Pascoal.
Centenas de policiais da Polícia Federal, em conjunto com a Força Nacional e as polícias Civil e Militar da Bahia, participaram da “Operação Sombras da Mata”, realizada após conflito entre os pataxós e pequenos agricultores do município de Itamaraju, no extremo-sul da Bahia, que resultou na morte de duas pessoas e deixou um ferido.
Contra Joel também não há provas ou qualquer ligação com os assassinatos ocorridos, em condições suspeitas, na região. A única acusação, também suspeita, partiu de um dos presos, que afirmou estar lá a mando de Joel Pataxó.
Perseguição política
Os dois casos são emblemáticos porque mostram a perseguição política contra importantes lideranças desses povos, que lutam pela demarcação e mobilizam outros índios para as retomadas.
Isso ocorre em total conluio com os órgãos de repressão do Estado, que atuam com os latifundiários e a Justiça para impedir novas retomadas e as demarcações.
É preciso realizar uma grande campanha pela liberdade dos companheiros presos políticos da luta pela terra e denunciar a situação das demarcações e a prisão de índios que se encontram nessa mesma situação.





