Ednelson Cesaretti

Professor de Educação Física na rede municipal de São Paulo. Pós graduado em Educação Física Escolar, licenciado em História. Militante da Corrente Educadores em Luta/PCO

Coluna

Lenda do futebol paulista retorna à elite

Após a festa pelo acesso, o Juventus agora luta pelo título da Série A2. O adversário na final será o Ituano, que eliminou a Ferroviária

O Clube Atlético Juventus, o eterno “Moleque Travesso” retornou na última terça-feira, dia 28 de abril, à elite do campeonato paulista. O Jogo do Acesso se deu em uma semifinal dramática contra o Votuporanguense. No primeiro jogo da semifinal, no famoso campo da Rua Javari, onde Pelé fez o gol mais bonito da história (o “Rei” Pelé deu o soco no ar pela primeira vez após marcar o que ele mesmo considerou o gol mais bonito de sua carreira dando quatro chapéus seguidos), o Juventus venceu por 2 a 1, com o apoio maciço da torcida grená. No jogo que selou a esperada volta do time grená, após 18 anos, o “Moleque Travesso” segurou um empate em 0 a 0 na Arena Plínio Marin, garantindo a vaga pelo placar agregado.

Clube raiz indissociavelmente ligado ao seu bairro, a Mooca, em São Paulo, o Juventus carrega um DNA puramente operário e imigrante. Juventus nasceu da união de trabalhadores. Fundado em 20 de abril de 1924, o clube surgiu a partir da fusão do Extra São Paulo e do Cavalheiro Crespi. Os fundadores eram, em sua maioria, funcionários do Cotonifício Rodolfo Crespi, uma das maiores tecelagens da época. Este retorno é um marco para o futebol de São Paulo, trazendo de volta o charme da Rua Javari.

A Cor Grená: Diferente do que muitos pensam, o Juventus não nasceu com as cores atuais. A ideia original era homenagear a Juventus da Itália (preto e branco), mas como já existiam muitos times alvinegros em São Paulo (Corinthians e Santos, por exemplo), decidiu-se homenagear o Torino, clube italiano que viria anos mais tarde a ser vítima de uma das maiores tragédias do esporte. O grená tornou-se o símbolo de distinção do clube.

Outro destaque é o apelido: do clube. O nome “Moleque Travesso” foi cunhado pelo jornalista Tommaso Mazzoni em 1930, após o Juventus vencer o então poderoso Corinthians por 2 a 1, “aprontando” contra os gigantes. E a história se repetiu várias vezes contra Palmeiras, São Paulo e outros grandes do futebol.

A luta pela volta à elite

As campanhas recentes foram marcadas por uma mistura de resiliência e apoio incondicional da torcida. A campanha para voltar à elite não se baseia apenas no futebol, mas na preservação da sua raiz: O estádio é o maior trunfo. Com capacidade reduzida e proximidade extrema entre torcida e gramado, o Juventus busca transformar a Javari em um caldeirão onde os adversários sentem a pressão do futebol “raiz”.

Apesar de no último ano, o clube ter se transformado em SAF, o início de sua volta à elite, nada teve a ver com a privatização do clube. Nas últimas temporadas, o Juventus vinha batendo na trave. Em 2024, por exemplo, o clube chegou às fases decisivas da A2, reacendendo a esperança da torcida. O planejamento atual foca em manter uma base experiente, mesclada com jovens talentos, para suportar a maratona física da segunda divisão.

A volta do Juventus à elite paulista é vista por muitos entusiastas como uma vitória do futebol de bairro sobre o futebol de negócio. Ver o Moleque Travesso enfrentar novamente os “quatro grandes” no Paulistão representa a sobrevivência de um modo de torcer que valoriza a história, o comércio local e a herança operária de São Paulo.

A campanha até o acesso

O time demonstrou uma solidez impressionante ao longo da competição. Com aproveitamento de quase 60%. Tendo 23 partidas disputadas, com 11 vitórias, 11 empates e 6 derrotas, com 31 gols marcados e 25 sofridos.

Após a festa pelo acesso, o Juventus agora luta pelo título da Série A2. O adversário na final será o Ituano, que eliminou a Ferroviária.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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