Senado Federal

Lei da Misoginia, uma lei da direita

A luta contra a misoginia é apenas uma maneira que a esquerda pequeno-burguesa encontrou para não lutar contra a burguesia

Maja Desnuda

O artigo Lei da Misoginia é expressão do rechaço social à violência de gênero: é preciso ir às ruas sem confiança no Estado, publicado nesta terça-feira (31) no sítio Esquerda Diário, ligado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), traz uma curiosidade no título: “ir às ruas sem confiança no Estado”. A esquerda pequeno-burguesa é a favor de mais leis repressivas, de aumento de pena, da criação de novos crimes. Há aí, confiança e cumplicidade.

O MRT não consegue enxergar o óbvio, diz que “por um lado, a aprovação de uma lei com esse teor em um Senado profundamente reacionário expressa o rechaço popular aos crescentes índices de feminicídio e estupro, além da indignação contra os red pill e a chamada machosfera”.

Quem vai acreditar nessa desculpa? A direita aprova porque é uma proposta reacionária que aumenta o poder de coerção do Estado, e a esquerda pequeno-burguesa está junto nisso, apenas que tenta colocar a culpa no povo.

Segundo o artigo “o fenômeno red pill não se resume a ‘homens frustrados na internet’, mas atua como uma verdadeira ferramenta ideológica da extrema direita.” Porém, o apelo ao medo não termina aí, dizem que “esses grupos usam o gênero como bode expiatório, canalizando o ódio social gerado pela crise e pela miséria do capitalismo à misoginia e à transfobia. Essa ideologia produz episódios bárbaros, como o recente estupro coletivo no Rio de Janeiro contra uma adolescente de 17 anos”.

Trata-se de um sensacionalismo barato, pois estupros coletivos acontecem desde sempre, nunca precisou de internet, red pills; nem dessas baboseiras tipo “machosfera”. Aliás, é preciso destacar que esses termos em inglês, neologismos, são típicos da pequena-burguesia, é um marcador para afastar a classe trabalhadora do debate.

Ingenuamente, o MRT acredita que um suposto “horror diário do feminicídio gerou um custo político tão alto que até figuras da extrema direita, como Damares Alves e Flávio Bolsonaro, foram obrigados a votar a favor dessa lei da misoginia no Senado”. Nada mais distante da realidade. A direita, ao contrário do pequeno-burguês, tem senso prático. Qualquer lei ou emenda que proponha novos crimes ou aumento de penas, terão os votos em peso dos setores direitistas, pois aumenta sua força. Quanto mais fechado o regime, melhor. Apenas estão dando corda para a esquerda se enforcar.

“Fizeram isso por puro cálculo eleitoral”, não por “medo da opinião pública”, como supõe esse grupo.

O problema verdadeiro

Quando a esquerda fica o tempo todo falando de feminicídio, red pill, machismo, machosfera, misoginia, patriarcado, ódio social, etc., faz um grande favor para a burguesia, pois desloca aquilo que é um problema social motivado pela superexploração, em um problema de homens contra mulheres.

Diante disso, a resposta da esquerda passa a ser uma luta moral, não econômica.

A repetição obsessiva desses termos, o alarde feito, acaba criando o clima que só envenena a sociedade.

O burguês aplaude e aproveita para criar leis ainda mais duras para poder explorar mais do que já explora.

Quando as pessoas vivem uma vida miserável, cheias de dívidas, pois o que ganham mal cobre as despesas diárias; quando são atiradas na violência por essas circunstâncias, o problema não é a desigualdade social a cada dia mais brutal, o problema é o patriarca, o misógino, o frustrado, não a burguesia.

Essa esquerda promove um grande desserviço, inclusive para as mulheres, pois elas não serão emancipadas enquanto a classe trabalhadora não se emancipar.

Direita propôs o PL

O PL da Misoginia (PL 896/2023) tem como autora a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), com relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS). O projeto, recém-aprovado, equipara a misoginia (ódio ou aversão às mulheres) à lei do racismo, prevendo penas de 2 a 5 anos de reclusão nas câmaras de tortura brasileiras comumente chamadas de presídios.

O que é exatamente misoginia? Ninguém sabe definir ao certo, o que significa que ficará nas mãos dos juízes decidirem. De onde já se pode adivinhar quais setores da população que mais sofrerão condenações.

A coisa é tão bem feita que até mulheres poderão ser processadas e presas por misoginia. Como a palavra ‘mulher’ está sendo utilizada para definir pessoas do sexo masculino que tenham feito transição, ou que se declaram mulheres, uma mulher poderá ser levada aos tribunais caso conteste se uma pessoa trans é de fato mulher e a pessoa em questão se sentir ofendida e a processar.

Sendo assim, uma lei que serviria, supostamente, para proteger as mulheres, vai, na verdade, aumentar a opressão sobre elas.

As redes

Como o imperialismo quer censurar a internet, o MRT gasta um tempo de seu artigo para atacar as redes sociais, as big techs, pois “os algoritmos transformam a misoginia em uma mercadoria altamente lucrativa”.

É uma batalha moral que está em curso. O que mais esse grupo vai fazer, uma cruzada contra a pornografia? Afinal, como as mulheres são tratadas messa indústria?

Será que veremos o MRT propondo a censura de trechos “misóginos” da Bíblia? E quanto à nudez feminina nas obras de arte, essa “esquerda” vai querer cobrir? Talvez coloquem tarjas pretas. Livros deverão ser proibidos ou queimados, pois não lhes falta “misoginia”. O mesmo no cinema. Na música, Ai que Saudades da Amélia vai ser proibida, e quem for pego ouvindo deverá ser preso, cinco anos em cana. Se estiver sendo ouvida em grupo, acréscimo de 50% na pena.

O plano genial do MRT para a defesa das mulheres seria “um plano de emergência contra o feminicídio e a violência de gênero, tanto no Brasil quanto internacionalmente”. E, ainda, “como parte desse plano de emergência seria necessário implementar a construção de casas abrigo em todos os municípios, com garantia de atendimento de saúde integral, assim como a garantia de direitos reprodutivos como o direito ao aborto (…)”. O plano, supostamente, servirá para “abrir caminho para um real combate à violência de gênero”.

Como pretendem implementar isso se os bancos pegam metade do orçamento público? Será que é preciso combater o sistema financeiro, o capitalismo, ou devemos focar no machismo e no patriarcado?

A esquerda pequeno-burguesa não está combatendo a violência, está apenas tirando o foco

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