O chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, condenou a pressão dos Estados Unidos e de seus aliados contra a Índia pela compra de petróleo russo, em entrevista à RT Índia, na terça-feira (12). Lavrov classificou essas medidas como métodos coloniais ou neocoloniais e elogiou a posição de Nova Délhi em defesa de sua segurança energética. A declaração foi feita antes da viagem do ministro russo à Índia para a reunião de chanceleres do BRICS.
A crítica russa mira a tentativa de forçar a Índia a reduzir ou abandonar as compras de petróleo russo. Lavrov afirmou que os Estados Unidos pressionam diversos países para que deixem de adquirir energia de Moscou e passem a comprar petróleo e gás natural liquefeito norte-americanos, mais caros. Para o chanceler, a disputa não se limita ao comércio bilateral: ela revela o esforço de Washington para controlar os fluxos mundiais de energia e impor custos maiores aos países que dependem de importações.
Lavrov afirmou que a Rússia respeita a posição da Índia, expressa repetidas vezes por autoridades de Nova Délhi, de definir suas compras de energia com base no interesse nacional e nas condições de mercado. Essa defesa atinge diretamente o boicote econômico promovido por sanções, ameaças e pressões diplomáticas. Para Moscou, a Índia tem o direito de decidir de quem compra, em que volume e por qual preço, sem se submeter a exigências externas que encarecem combustíveis e afetam a população.
A importância do tema para a Índia é central. O país é o terceiro maior produtor e consumidor de eletricidade do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e importa mais de 85% do petróleo bruto de que necessita. A demanda interna crescente e o consumo das refinarias tornam o acesso a suprimentos estáveis uma questão de segurança nacional. Desde 2022, Nova Délhi ampliou de forma expressiva as compras de petróleo russo e continuou dependendo desse fornecimento apesar da pressão permanente dos Estados Unidos e de seus aliados.
Washington já havia imposto sanções contra as empresas russas Rosneft e Lukoil em outubro, o que provocou uma queda temporária nas importações indianas. Depois, a administração Trump prorrogou uma autorização de isenção até 16 de maio, após o bloqueio do Estreito de Ormuz provocar fortes efeitos sobre os mercados mundiais de energia. A sequência mostra que o próprio governo norte-americano precisou ajustar a aplicação das sanções diante do risco de desabastecimento e de alta dos preços.
O governo indiano, segundo o texto, tem afirmado que fará o necessário para garantir abastecimento ininterrupto de energia a 1,4 bilhão de pessoas e às indústrias do país. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que a população repense o uso de energia, inclusive com maior uso de transporte público e trabalho em casa, em meio à incerteza sobre o cessar-fogo na campanha dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. A combinação entre guerra, bloqueio marítimo e sanções amplia a pressão sobre importadores de energia e reforça a importância das escolhas indianas.
Lavrov também relacionou a crise energética e a pressão contra a Índia ao papel do Brics. Antes da reunião de chanceleres em Nova Délhi, o ministro russo afirmou que o grupo pode ter papel relevante na construção de esforços para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. A fala aproxima a defesa da soberania energética indiana da defesa de uma ordem internacional menos submetida aos interesses dos Estados Unidos. Para a Rússia, a resistência de Nova Délhi ao boicote é exemplo de que nem todos os países aceitam pagar mais caro por energia apenas para cumprir determinações políticas de Washington.



