O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, perseguido pela ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) com uma arma em São Paulo, antes das eleições de 2022. A decisão foi publicada na segunda-feira (1º) e divulgada pelo Poder360 na quinta-feira (4).
A ordem de prisão foi determinada pelo juiz José Fernando Steinberg. Araújo foi condenado por difamação contra Zambelli e teve a prisão determinada após não pagar uma multa de cerca de R$2.200.
O caso é um escárnio. A deputada promoveu um espetáculo de violência nas ruas de São Paulo, com uma parlamentar armada perseguindo um jornalista, mas quem agora pode ser preso é o próprio perseguido.
Araújo foi condenado em junho de 2024. Na época, recebeu pena de oito meses em regime aberto, depois convertida em serviços comunitários. A nova decisão decorre do não pagamento da multa imposta na condenação.
Em seu perfil no Instagram, o jornalista declarou considerar a condenação injusta e afirmou não ter dinheiro para pagar o valor. Ele também comparou sua situação com a de Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas fora do Brasil.
“Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela. Eu me considero uma pessoa espiritualizada, que confia que a justiça divina vai acontecer. Mas têm certas coisas que me deixam desesperançoso”, afirmou Araújo.
O episódio que originou o caso ocorreu antes das eleições de 2022. Carla Zambelli perseguiu Luan Araújo, um homem negro, com uma arma em São Paulo. O caso teve ampla repercussão nacional.
Depois do episódio, Araújo publicou no Diário do Centro do Mundo (DCM) o texto Perca ou não o mandato, o mal que Zambelli me fez segue impune. No artigo, o jornalista escreveu que Zambelli “segue com uma seita de doentes de extrema direita que a seguem incondicionalmente e segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades”.
A ex-deputada processou Araújo, e o texto foi retirado do ar. A condenação por difamação veio em 2024. Agora, por não ter pago a multa de R$2.200, o jornalista foi alvo de uma ordem de prisão em regime aberto.
No texto publicado no DCM, Araújo também relatou o efeito prolongado da perseguição sofrida em 2022:
“Para mim, um homem preto, pobre e com problemas enormes, aquele dia não acabou. Ele faz questão de durar dias e mais dias até hoje. De uma forma cruel. Para ela, uma mulher branca com conexões com pessoas poderosas, foi apenas mais um espaço para fazer o picadeiro clássico de uma extrema direita mesquinha, maldosa e mercadora da morte”, escreveu.





