Colômbia

Jornal golpista acusa Gustavo Petro de tentativa de golpe

Jornais golpistas, como o Estadão, estão acusando Gustavo Petro de tentativa de golpe, mas o medo é da radicalização na Colômbia

Golpista Espriella

Existe uma definição que cabe a todos os sionistas, e é o caso do Estadão, que revela que toda acusação que fazem é, na verdade, uma confissão. Daí o título do editorial desta quinta-feira (9), “Tara golpista”, no qual acusam Gustavo Petro, presidente colombiano, de estar tramando um golpe.

Já no início, o jornal diz que “em um descarado flerte com o golpismo, o atual presidente da Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro, insiste em afirmar que o opositor de direita Abelardo de la Espriella não venceu seu candidato, Iván Cepeda, nas eleições presidenciais, ao contrário do que atestam observadores estrangeiros e as próprias instituições colombianas encarregadas do processo eleitoral.”

Não é segredo que o Estadão apoiou o golpe de 1964 e a ditadura militar, apoiou todos os golpes na América Latina, apoiou o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff e atualmente é palanque do golpista Michel Temer. Dito isso, só se pode concluir que o jornal burguês não está tentando denunciar um golpe, mas proteger este que acaba de ser dado na Colômbia.

Espertamente, o editorial afirma que “assim, comprova-se que a tara golpista nas democracias das Américas não se restringe à direita trumpista ou bolsonarista. A esquerda que se apresenta como salvadora da democracia contra o autoritarismo de direita também não se faz de rogada quando o resultado das urnas lhe desfavorece e trata de deslegitimar a vitória dos adversários. Seja à esquerda ou à direita, trata-se de comportamento inaceitável, que merece franco repúdio das genuínas democracias da região.”

O mais engraçado desse trecho é o jornal fazer pose de isento, dizendo que “seja à esquerda ou à direita, trata-se de comportamento inaceitável, que merece franco repúdio das genuínas democracias da região.” Esse jornal nunca prezou a democracia, e é justamente quem tem tara por golpes. Reclama de Petro, mas não aceitou as eleições na Venezuela.

Enquanto fala do golpismo de Trump e Jair Bolsonaro, o Estadão pensa que ninguém sabe que eles participaram do golpe de 2016 e ajudaram a eleger Bolsonaro.

Polarização

O medo da burguesia é com a polarização que está ocorrendo na Colômbia, por isso é feito o apelo pela intervenção de Lula no trecho que diz que “se era séria a ‘defesa da democracia’ que animou a ‘4.ª Cúpula em Defesa da Democracia’, realizada com fanfarra em abril em Barcelona e que contou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio Petro, então que o Brasil faça gestões junto ao atual presidente colombiano para que a transição no país se dê sem sobressaltos antidemocráticos.”

Não interessa ao imperialismo uma América do Sul conflagrada. Deram golpes em todos os países, elegeram fantoches sem muitos percalços, mas a junção da polarização da Bolívia e da Colômbia pode deixar o terreno escorregadio.

Segundo o jornal direitista, “enquanto o Brasil silencia, Petro consagra os últimos dias de seu governo a inflamar os colombianos. O presidente sugere, por exemplo, que não comparecerá à posse de Espriella, marcada para 7 de agosto.” É curioso, pedem apoio de Lula enquanto o apunhalam pelas costas, como na matéria que acaba de publicar com Michel Temer.

Existem inúmeras evidências de fraudes nas eleições colombianas, como a alteração de formulários. Petro afirmou que os formulários E-14 (documentos em papel que registram os votos de cada urna) foram modificados deliberadamente após o envio digital. De acordo com ele, foram removidos os registros de data, hora e o Hash (algoritmo de segurança) para permitir adulterações.

Houve ainda Ataque ao software e interferência externa. O presidente argumentou que o sistema de pré-contagem foi comprometido por meio da alteração dos endereços de IP de vários servidores do Registro Nacional. Ele chegou a sugerir que o Estado de Israel seria o único capaz de realizar uma operação desse tipo, mas é sabido que há outros países capazes, como os Estados Unidos, Inglaterra, etc. Suspeitas contra a empresa de auditoria: Petro direcionou acusações à empresa Thomas Greg & Sons, responsável pela contagem preliminar dos votos, acusando os proprietários de manipulação nos escritórios da companhia.

Finalmente, tiveram os votos inflacionados no exterior. Petro apontou distorções em seções eleitorais fora da Colômbia, citando o exemplo de um consulado com apenas 80 eleitores inscritos que teria registrado mais de mil votantes.

Capachismo

A burguesia sonha com cordeiros, não quer que ninguém reclame, mas a luta de classes nunca descansa. O Estadão, cinicamente, diz que “tradicionalmente, os presidentes de saída na Colômbia fazem seu discurso de despedida no mesmo dia em que o novo mandatário toma posse. Como não admite a vitória de Espriella, Petro agora trata o 7 de agosto como ‘data trágica’.” Ocorre que na Colômbia a própria polarização política está empurrando Gustavo Petro para posições mais radicais, pois ele mesmo sempre foi muito moderado.

A burguesia, da qual o Estadão é porta-voz, passou décadas assassinando lideranças no país vizinho, é um número assombroso de mortes. Além disso, a presença norte-americana serve para acirrar o ambiente político. Portanto, não vale que reclamar que “trágica, na verdade, é a maneira como Petro está instrumentalizando o feriado de independência da Colômbia, celebrado em 20 de julho. O esquerdista convocou uma “mobilização geral” dos colombianos na data de forte peso simbólico, quando promete antecipar seu discurso de saída. Já Cepeda, que chegou a reconhecer a derrota para Espriella, agora prega abertamente a ‘desobediência civil’.”

Para o jornal golpista, “o objetivo é claro: fomentar a narrativa de fraude eleitoral para jogar os colombianos contra Espriella. Petro e Cepeda apegam-se, sobretudo, ao fato de o presidente eleito ter cidadania norte-americana, o que faria dele alguém leal à Constituição dos EUA, e não à da Colômbia.” O problema é que os colombianos não são o Estadão e têm todos os motivos do mundo para suporem que Espriella é leal a outro país. Mais um motivo para levar o povo às ruas contra um  pau-mandado.

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