Hungria

Jornal da CIA comemora golpe que ajudou a realizar

O governo de Viktor Orbán, que comandou a Hungria por 16 anos, ruiu após o partido de oposição Tisza conquistar uma maioria de dois terços no Parlamento

O golpe de Estado contra Viktor Orbán nas eleições gerais de 12 de abril de 2026, consolidado pela vitória esmagadora do partido Tisza, liderado por Péter Magyar, está sendo comemorado por veículos ligados aos serviços de informação do imperialismo norte-americano. O Journal of Democracy, principal veículo do National Endowment for Democracy (NED) publicou análises detalhando como a queda do Fidesz foi viabilizada por uma combinação de asfixia financeira imposta pela União Europeia (UE) e a fragmentação do sistema de inteligência interna húngaro. O NED é uma organização sabidamente financiada pelo governo norte-americano para promover golpes de Estado.

O governo de Viktor Orbán, que comandou a Hungria por 16 anos, ruiu após o partido de oposição Tisza conquistar uma maioria de dois terços no Parlamento. O resultado foi impulsionado por uma participação eleitoral de 77%.

Desde o início da guerra da Ucrânia, Orbán posicionou-se contra o envio de armas e o bloqueio total de recursos energéticos russos, utilizando seu poder de veto na União Europeia para barrar pacotes de ajuda militar ao país eslavo. Em retaliação, a União Europeia manteve bilhões de euros em fundos de desenvolvimento congelados, alegando “falta de transparência e violação do Estado de Direito”.

Essa retenção de capital gerou inflação recorde, com a Hungria registrando os maiores índices de preços da União Europeia em 2024 e 2025. Ao mesmo tempo, o governo não conseguiu manter os programas de subsídios que garantiam sua base de apoio no interior do país.

O processo eleitoral foi marcado pelo vazamento de informações sensíveis de segurança nacional. O Journal of Democracy destaca o papel de desertores do aparato estatal, como o ex-capitão Bence Szabó, que expôs operações de monitoramento contra opositores semanas antes do pleito.

A saída de Orbán remove o último grande obstáculo interno na União Europeia para sua ditadura em torno do apoio logístico e financeiro à Ucrânia. O novo governo já sinalizou que sua primeira medida diplomática será uma visita à Polônia, reafirmando o compromisso com o eixo militar do imperialismo e encerrando a política de neutralidade relativa que caracterizou a última década da diplomacia húngara.

O fenômeno político que levou à substituição de Viktor Orbán não partiu da esquerda tradicional húngara, mas de uma dissidência interna do próprio regime. Péter Magyar é um ex-funcionário de alto escalão do governo e antigo aliado do círculo íntimo de Orbán.

A vitória da oposição húngara em 2026 consolidou-se fundamentalmente pela erosão do apoio ao Fidesz nas províncias, áreas que historicamente garantiam a permanência de Viktor Orbán no poder. O controle estatal sobre o fluxo de informação no interior da Hungria, mantido por uma rede de rádios locais e jornais regionais alinhados ao governo, não foi suficiente para conter o avanço do partido Tisza. Péter Magyar procurou realizar comícios em distritos rurais considerados impenetráveis, como os condados de Szabolcs-Szatmár-Bereg e Borsod-Abaúj-Zemplén. Com isso, conseguiu se favorecer com a situação criada pelo desequilíbrio econômico resultante da inflação e da retenção de subsídios europeus. Nestas regiões, onde o emprego público e os programas de obras municipais são os principais motores da economia, o congelamento de verbas teve um efeito devastador, minando a autoridade dos prefeitos leais ao regime.

Além da pressão econômica, a desintegração do governo foi acelerada por uma série de vazamentos coordenados. O Journal of Democracy detalha o caso de Bence Szabó, um ex-capitão do Departamento Nacional de Investigação, que veio a público para denunciar o uso de unidades especializadas da polícia para monitorar a campanha da oposição. O que o órgão do NED não menciona, curiosamente, é que o governo húngaro acusou empresas como a Meta de tentarem interferir no resultado eleitoral.

A revelação de que o serviço de inteligência tentou recrutar informantes dentro do partido Tisza, utilizando acusações forjadas de crimes cibernéticos para pressionar especialistas em tecnologia da oposição, causou um racha nas forças de segurança. Este cenário mostra que o governo Orbán já não possuía o controle total sobre seus próprios oficiais de inteligência, expondo um trabalho de infiltração e cooptação do imperialismo.

A comemoração explícita do Journal of Democracy — e, por extensão, de sua entidade mantenedora, o National Endowment for Democracy (NED) — revela a conclusão bem-sucedida de uma conspiração que operou em múltiplas camadas. O entusiasmo da organização fundamenta-se no fato de que a Hungria representava o maior desafio prático à dominação da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para o NED, a queda de Viktor Orbán é a prova de que seu “modelo de financiamento” à “sociedade civil” e a sua “capacitação de lideranças alternativas” podem desmantelar governos.

Redes ligadas a George Soros e sua Open Society Foundations (OSF) atuaram como uma peça complementar à estratégia do governo norte-americano. Embora a propaganda de Orbán tenha frequentemente denunciado Soros como grande inimigo, a atuação das fundações do NED na Hungria foi decisiva.

Enquanto o NED focava em fortalecer veículos de imprensa “independentes” e o “monitoramento eleitoral”, as redes de Soros financiavam o apoio jurídico a dissidentes e a formação de ONGs que mantinham viva a crítica internacional sobre o “Estado de Direito” na Hungria. Essa rede de suporte garantiu que, mesmo sob pressão estatal, a oposição tivesse acesso a canais de denúncia na União Europeia, mantendo o governo sob constante escrutínio legal e reputacional que culminou no congelamento de verbas.

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