O candidato do Partido da Causa Operária ao governo do Amapá, Jairo Palheta, denunciou o caráter antidemocrático das eleições brasileiras durante entrevista ao programa Bora Amapá. Agricultor familiar e militante dos movimentos de luta pela terra e por moradia, Palheta foi o primeiro candidato ao governo entrevistado pelo programa.
Ao falar das condições da campanha eleitoral, destacou a enorme desigualdade entre os partidos que recebem centenas de milhões de reais e ocupam constantemente a televisão e aqueles praticamente excluídos da propaganda e dos debates.
“A gente acha que as eleições são um conjunto de cartas marcadas”, afirmou.
Palheta citou a diferença entre os recursos destinados aos grandes partidos e aqueles disponíveis ao PCO. Segundo ele, enquanto PT e PL receberão juntos mais de R$950 milhões, o Partido da Causa Operária não recebe fundo partidário e contará com uma quantia muito pequena do fundo eleitoral para realizar toda sua campanha no Amapá.
Para explicar a desigualdade, comparou a eleição a um concurso público no qual determinados candidatos entram na sala já sabendo as respostas da prova. O problema não estaria apenas no dinheiro, mas também na seleção de quem aparece nos debates, na televisão, no rádio e nos demais meios de divulgação.
A entrevista abordou ainda a situação fundiária do Amapá. Palheta criticou a regularização de grandes extensões de terra sem investigação suficiente sobre a origem dos títulos e relacionou esse problema à violência existente no campo.
O candidato lembrou também o papel das ocupações de terra e de moradia no crescimento de Macapá e Santana. Segundo ele, bairros inteiros surgiram da luta dos trabalhadores sem terra e sem teto, que ocuparam áreas abandonadas e enfrentaram inclusive operações policiais de reintegração de posse.
Palheta também defendeu a reforma agrária contra o avanço do agronegócio. Na entrevista, contrapôs a agricultura familiar, responsável pela produção de grande parte dos alimentos consumidos no estado, às grandes propriedades de soja voltadas sobretudo para a exportação.
Outro ponto importante foi a exploração do petróleo na Margem Equatorial. O candidato defendeu que a riqueza produzida seja utilizada para desenvolver o próprio Amapá e não simplesmente retirada do estado na forma de matéria-prima.
Palheta propôs conselhos populares para decidir a aplicação dos recursos provenientes do petróleo e defendeu investimentos em universidades, ciência, tecnologia e indústria. Para ele, o Amapá deve deixar de funcionar apenas como fornecedor de riquezas naturais para outras regiões e criar condições para transformar suas próprias matérias-primas.
A entrevista completa está disponível neste vídeo.




