São Paulo

Izadora Dias: ‘minha candidatura pertence à classe operária’

Candidata ao governo destacou o papel dirigente das mulheres na construção do partido e afirmou que sua candidatura pertence à classe operária

Ao lançar sua candidatura ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), Izadora Dias destacou o papel das mulheres na construção do partido e relacionou sua própria trajetória política à formação que recebeu como militante revolucionária.

Sua intervenção foi antecedida por uma homenagem à dirigente Natália Pimenta, falecida no ano passado, e pela lembrança de diversas mulheres lançadas pelo PCO para cargos majoritários nas eleições deste ano.

Foram mencionadas Maria Bona, candidata ao governo da Bahia; Ludi Sarmento, candidata no Piauí; Carol Santana, candidata ao Senado por Santa Catarina; e Percy, candidata ao Senado pelo Distrito Federal e integrante do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo.

Ao apresentar Izadora, foi destacado que sua candidatura também representa o trabalho desenvolvido pelas mulheres que participam diariamente da construção do Partido da Causa Operária.

A candidata começou agradecendo a tarefa recebida do partido e afirmou que considera uma honra representar o PCO, mas rejeitou qualquer interpretação de sua candidatura como busca de projeção individual.

“É uma honra não por prestígio pessoal, porque eu dentro do partido gosto mais do trabalho nos bastidores, do trabalho organizativo, que eu aprendi muito e desenvolvi muitas qualidades, esse trabalho por conta da companheira Natália Pimenta.”

Izadora destacou justamente o papel de Natália em sua formação política. A antiga dirigente do partido foi uma das principais responsáveis pelo trabalho de organização das mulheres e pela construção do PCO durante décadas.

Para Izadora, assumir uma candidatura ao governo de São Paulo como mulher revolucionária significa dar continuidade a esse trabalho político.

“Representar o partido como uma mulher revolucionária é uma felicidade, porque foi dentro do PCO que eu encontrei uma dignidade como mulher.”

A candidata relacionou sua experiência dentro do partido à situação vivida pelas mulheres na sociedade.

Segundo Izadora, uma jovem mulher é permanentemente colocada diante de papéis impostos pela sociedade capitalista: dedicar sua existência exclusivamente à família, vender sua força de trabalho aos capitalistas ou ser submetida a situações ainda mais degradantes.

“Nós vemos aí a situação em que as mulheres são tratadas na nossa sociedade e, como jovem mulher, você fica em dúvida, né? Qual que é o seu papel? O que é prestigiado? É a mulher estar aí a serviço apenas da família, ou então tendo a sua mão de obra explorada pelos capitalistas? Ou então situações ainda mais degradantes a que a mulher é colocada?”

Para a candidata, sua experiência no PCO apresentou uma perspectiva completamente diferente.

A dignidade a que se refere não está relacionada à obtenção de cargos, privilégios ou reconhecimento individual, mas à possibilidade de participar diretamente de uma organização revolucionária e dedicar sua atividade à luta política dos trabalhadores.

“Dentro do PCO eu tenho diariamente a capacidade de atuar em algo que eu acredito que é muito importante: o desenvolvimento de um partido para a classe operária.”

A fala de Izadora coloca, dessa maneira, a questão da emancipação da mulher diretamente no terreno da luta de classes.

Sua candidatura não é apresentada como uma candidatura “de mulher” separada das demais lutas sociais, mas como a candidatura de uma militante que participa da organização da classe trabalhadora.

“E a minha candidatura também não é minha, é da classe operária, dos militantes, daqueles que atuam com a gente também na construção desse partido.”

Izadora destacou que a candidatura não poderia ser entendida separadamente do trabalho coletivo realizado pelo Partido.

Por isso, chamou militantes, filiados e simpatizantes a participarem diretamente da campanha, inclusive aqueles que permanecem organizando o trabalho partidário nas diferentes regionais.

Segundo ela, as eleições são apenas mais um momento da atividade política desenvolvida permanentemente pelo PCO.

“As eleições não têm nada de excepcional para nós. É mais uma etapa, mais um momento de luta política. O nosso partido atua o ano todo. Em todas as oportunidades, o partido atua para desenvolver a nossa política. Então, as eleições são apenas mais uma tribuna.”

Essa concepção também diferencia a candidatura de Izadora da utilização que os partidos burgueses fazem da participação feminina.

Enquanto estes transformam frequentemente a presença das mulheres em elemento de propaganda eleitoral, a candidata apresentou sua participação como resultado de um trabalho político e organizativo desenvolvido no interior de um partido operário.

A própria lembrança de Natália Pimenta durante o lançamento colocou em evidência esse aspecto: mulheres não apenas aparecem como candidatas, mas participam da organização, da direção e da construção cotidiana do partido.

Izadora afirmou que essa campanha militante será especialmente importante diante do bloqueio imposto ao PCO pelos grandes meios de comunicação.

Ela denunciou que pesquisas eleitorais recentes passaram a divulgar diversos candidatos, mas deixaram de apresentar as candidaturas do partido.

Segundo a candidata, o argumento de que o PCO seria simplesmente pequeno ou irrelevante não explica essa exclusão.

Izadora lembrou que pesquisas de potencial de voto realizadas anteriormente mostraram que, entre os partidos de esquerda, o PCO tinha reconhecimento inferior apenas ao PT.

“Se nós somos irrelevantes, nós somos pequenos, qual é o problema de apresentar nossas candidaturas? Eles colocaram lá vários outros candidatos que pontuaram zero. Apresentassem lá, então, que nós pontuamos zero.”

Para ela, o bloqueio não é produto de um erro ou de uma decisão casual das empresas de pesquisa, mas possui um caráter político.

“É porque ideias revolucionárias são perigosas. Então, a burguesia, a imprensa, não quer nem citar o nosso nome, não quer nem apresentar para a população que o PCO tem candidato.”

Por isso, Izadora afirmou que militantes e candidatos precisam assumir diretamente a tarefa de levar o programa do partido aos trabalhadores. Na parte final de sua intervenção, Izadora voltou ao conteúdo político que, segundo ela, deve orientar a campanha.

A candidata afirmou que o PCO não participa das eleições para vender soluções fáceis à população.

“Nós participamos das eleições não para também apresentar respostas rápidas, soluções práticas para a população. Os trabalhadores precisam lutar, se mobilizar contra os capitalistas, contra o imperialismo.”

Izadora colocou como exemplo dessa luta a resistência palestina. Segundo ela, a disposição do povo palestino de continuar enfrentando seus opressores mesmo diante de condições extremamente difíceis deve servir de referência para aqueles que lutam contra a exploração e a opressão.

“Nós não temos medo, nós não capitulamos, nós não estamos nem um pouco preocupados em falar que nós defendemos terroristas, porque o que nós defendemos são pessoas que lutam, são pessoas que não abaixam a cabeça, mesmo em situações muito difíceis.”

A candidata também criticou a esquerda que procura adaptar sua política às exigências da direita e ao que é considerado aceitável pelos grandes jornais.

“Nossa referência não é essa esquerda que faz frente com a direita, que fica preocupada com o que a imprensa vai falar, o que a Folha de São Paulo vai falar deles.”

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