PCO nas eleições

Izadora Dias: ‘a população deveria escolher os juízes’

Candidata do PCO ao governo de São Paulo criticou o poder do STF, denunciou obstáculos à campanha do Partido e apresentou propostas sobre segurança, moradia e serviços públicos

Izadora Dias, candidata do Partido da Causa Operária ao governo de São Paulo, participou na terça-feira (15) de entrevista ao canal Prática Política, no YouTube. Durante a conversa, falou sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, a situação eleitoral do PCO, o governo Tarcísio de Freitas, privatizações, segurança pública, moradia e propostas do Partido para as mulheres.

A entrevista começou pelo STF. Izadora disse que as denúncias atuais envolvendo integrantes da Corte reforçam uma crítica que o PCO faz há anos: a concentração de poder nas mãos de ministros não eleitos.

“A questão é que você não pode dar um poder supremo para algumas pessoas. Claro que isso vai acabar corrompendo essas pessoas. E se elas são tão poderosas assim, porque o STF está acima do presidente, agora até acima da Constituição, porque eles tomam medidas a partir do que eles tiverem ideia, você chega a essa situação.”

Izadora afirmou que o problema não seria resolvido apenas com a troca de um ou outro ministro. A proposta defendida pelo PCO é que juízes sejam escolhidos pela população e submetidos a mandatos.

“Não adianta você trocar o Alexandre de Moraes, trocar o Mendonça ou trocar todo o STF. Se fosse trocar, a proposta do Partido da Causa Operária é que esses juízes fossem votados. Por quê? Eles decidem praticamente tudo no País e são indicados pelo presidente. Só que esse presidente sai do governo e fica lá o indicado dele.”

Ela também lembrou a suspensão das redes sociais do PCO durante o período eleitoral e relacionou o episódio à ditadura do Judiciário.

“A população não pode nem falar contra eles, porque nas eleições o PCO ficou um ano com todas as suas redes suspensas porque a gente criticou Alexandre de Moraes. Por isso a gente fala que é uma ditadura do Judiciário. A saída seria deixar essa decisão para a população.”

Candidatura atingida em São Paulo

A própria campanha de Izadora entrou na discussão.

Ela explicou que o diretório paulista enfrentou problemas relacionados a prestações de contas antigas e disse que a cobrança apareceu somente neste processo eleitoral.

“O TRE de São Paulo apareceu com uma questão burocrática relacionada a prestações de contas de 2016 e 2018. Ou seja, eles não apresentaram isso em outras eleições, apresentaram agora. E a questão é que eles estão cobrando prestação de contas de uma conta que não teve movimentação.”

Segundo Izadora, o Partido entregou documentos, pagou multas e tentou resolver as pendências, mas os processos demoraram a ser analisados.

“A gente teve que pagar algumas multas, o Partido nem ficou atrás de reivindicar a legalidade ou não das multas. Foi lá e pagou, fez todo o processo. E eles ficaram enrolando para dar as respostas. A gente fazia um processo, eles demoravam para avaliar. Ficaram enrolando justamente para chegar agora nas eleições e indeferir as candidaturas do Partido em São Paulo.”

Ela afirmou que a situação se soma a outros obstáculos enfrentados pelo PCO em eleições anteriores, como atrasos na liberação do fundo eleitoral e restrições à propaganda.

Na crítica apresentada pela candidata, a Justiça Eleitoral concentra poderes que interferem não apenas no registro das candidaturas, mas também na vida interna dos partidos.

Privatizações de Tarcísio

Ao ser perguntada sobre o governo Tarcísio de Freitas, Izadora apontou as privatizações como uma das principais marcas da atual administração.

Para ela, Tarcísio dá continuidade a uma política que predominou durante os governos do PSDB em São Paulo.

“A gente pode principalmente fazer uma comparação com a destruição do Estado, que era a política do PSDB. A política dele sempre foi entregar o Estado ao setor privado. O Tarcísio é um representante dessa política.”

A Sabesp foi usada como exemplo.

Izadora relatou problemas que enfrentou em sua própria residência depois da privatização e disse ter encontrado agências lotadas por consumidores com reclamações semelhantes sobre cobranças elevadas.

Ela também criticou Fernando Haddad por considerar que sua candidatura não apresenta uma política clara de reversão das privatizações.

“O Haddad deveria levar na campanha dele justamente essa questão. Mas fica uma discussão que, quando você avalia Tarcísio e Haddad, não vê toda essa diferença. Porque ele também não fala nada contra as privatizações.”

Izadora justificou ainda por que o PCO concentra parte de suas críticas em partidos e candidatos da própria esquerda. Para ela, um partido que se reivindica revolucionário precisa apontar quando propostas apresentadas como de esquerda se aproximam da política da direita.

Segurança e autodefesa

Outro ponto da entrevista foi a segurança pública.

O PCO defende a dissolução dos atuais aparatos policiais e sua substituição por formas de segurança organizadas pela própria população. Izadora associou essa proposta ao direito de autodefesa.

“Você só pode falar de dissolução da polícia como aparato repressivo do Estado se você defender o armamento da população. Porque é isso que vai dar a possibilidade de você desenvolver uma segurança, inclusive a autodefesa.”

Ela argumentou que moradores deveriam participar diretamente da escolha de quem cuidaria da segurança nos bairros.

“A população deveria escolher membros do próprio bairro para atuar. Escolher, eleger esses membros. Isso teria muito mais benefício porque a polícia não resolve o problema antes de acontecer. A polícia aparece depois que a pessoa foi assaltada, depois que a pessoa foi violentada, depois que a pessoa foi assassinada.”

Izadora também usou a situação das mulheres para defender o direito individual à autodefesa, argumentando que uma arma poderia reduzir a desigualdade física numa situação de agressão.

Na discussão sobre as liberdades individuais, defendeu ainda que o Estado não determine quais drogas uma pessoa pode consumir. O PCO defende a legalização de todas as drogas e rejeita a política proibicionista.

“As drogas são todas proibidas e têm viciados em tudo. Essa ideia de que algo ser ilegal significa que não vai acontecer não é uma verdade.”

Moradia não pode ser mercadoria

A candidata também defendeu o fim dos despejos sem garantia de moradia.

Para Izadora, necessidades básicas não deveriam ficar submetidas exclusivamente ao mercado.

“Os elementos básicos para um ser humano ter dignidade não podem ser um produto. Então a água não pode ser comercializada, a educação, a saúde e a moradia, porque são elementos básicos para um ser humano viver numa sociedade minimamente.”

Ela chamou atenção para a existência de imóveis vazios nas regiões centrais de São Paulo ao mesmo tempo em que trabalhadores são empurrados para áreas cada vez mais distantes.

Na avaliação da candidata, retirar famílias de uma ocupação sem oferecer outra residência próxima significa apenas transferir o problema.

“O mais correto, o mais humano possível seria: se você vai despejar um morador de uma região, que você dê acesso a uma moradia próxima do local e dê moradia para ela. Se você está despejando ela de um espaço, não pode ser ‘cada um se vira’.”

Creches e serviços públicos para as mulheres

Ao tratar das condições de vida das mulheres, Izadora criticou as políticas identitárias, que se concentram na ocupação de cargos públicos ou no aumento das penas criminais.

Ela defendeu medidas que reduzam a dependência econômica e o trabalho doméstico.

“Por que não falam de acabar com a escravidão doméstica? Isso seria uma tarefa social: construir lavanderias públicas, construir restaurantes públicos, creches 24 horas.”

A proposta de creches durante todo o dia, explicou, procura atender trabalhadores com jornadas fora do horário comercial.

“A creche tem que ser 24 horas, mas não significa que você vai deixar a criança 24 horas. Significa que, se uma mãe ou uma família trabalha durante a noite, vai ter creche disponível naquele horário.”

Izadora relacionou ainda a violência doméstica à dependência econômica e à falta de condições materiais para que uma mulher consiga abandonar uma relação abusiva.

Para ela, emprego, habitação, creches e estruturas públicas de acolhimento teriam impacto muito maior do que campanhas centradas apenas no endurecimento penal.

Alckmin e Tebet

A composição política em torno do governo Lula também foi criticada.

Izadora usou Geraldo Alckmin e Simone Tebet como exemplos de figuras da direita incorporadas artificialmente ao campo da esquerda.

“Quando você apresenta o Geraldo Alckmin como um socialista, você está reciclando um lixo radioativo. Você está apresentando para a população um político que a vida toda teve uma política totalmente violenta contra os trabalhadores e agora está apresentando ele como um bom elemento.”

Ela lembrou que a Causa Operária surgiu como corrente dentro do PT e foi expulsa depois de conflitos políticos com a direção do partido.

Segundo Izadora, a organização defendia desde aquela época que o PT permanecesse um partido dos trabalhadores e não incorporasse representantes da burguesia.

Campanha com pouco dinheiro e pouca exposição

Izadora também falou das condições concretas da campanha.

O PCO recebeu sua parcela do fundo eleitoral pouco antes da entrevista, o que, segundo ela, atrasou impressão de materiais e viagens.

“Nós recebemos o fundo eleitoral há pouco tempo, no começo da semana. Isso atrapalha, porque, apesar de a gente receber o menor fundo eleitoral, é um valor que ajuda a tirar mais panfletos, fazer mais viagens e tal.”

A candidata disse que o Partido mantém uma campanha baseada principalmente na militância, com distribuição diária de materiais.

Ao mesmo tempo, relatou encontrar eleitores que sequer sabem da existência das candidaturas menores.

“Às vezes eles olham o panfleto, olham para mim, aí alguém chega e fala: ‘É candidata para o governo’. A pessoa fica assustada: ‘Como assim, candidata para o governo de São Paulo?’. Parece que é Tarcísio e Haddad, e outra está aqui panfletando.”

Ela criticou as restrições impostas à propaganda eleitoral nas ruas e afirmou que as próprias plataformas digitais reduzem a exposição de perfis oficiais de candidatos.

Para Izadora, esse sistema favorece quem já possui mais recursos, mais estrutura e maior presença nos grandes meios de comunicação.

A campanha do PCO, disse, procura usar o período eleitoral principalmente para apresentar seu programa político e ampliar o contato direto com os trabalhadores.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.