A polícia de ocupação de “Israel” impediu, neste domingo (29), a entrada do cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém ocupada, impedindo-o de celebrar a missa de Domingo de Ramos. A informação foi divulgada em nota pelo Patriarcado Latino, que informou também que o custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, foi barrado junto com o cardeal.
De acordo com a nota, os dois religiosos se dirigiam à igreja de forma privada, sem procissão formal nem atividade pública. Ainda assim, foram impedidos de entrar pela polícia israelense e acabaram obrigados a voltar.
O Patriarcado afirmou que, em razão da medida, “pela primeira vez em séculos”, os chefes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro. A instituição classificou o episódio como um precedente grave e destacou que a decisão desconsidera a importância religiosa de Jerusalém para bilhões de pessoas em todo o mundo durante a semana santa.
Ainda segundo o Patriarcado, impedir a entrada do cardeal e do custódio, responsáveis máximos pela Igreja Católica e pelos lugares santos, constituiu uma medida “manifestamente irrazoável” e “grosseiramente desproporcional”. A nota afirmou ainda que se tratou de uma decisão apressada, baseada em critérios impróprios, em ruptura com princípios elementares de razoabilidade e liberdade de culto.
O episódio ocorreu em meio ao endurecimento das restrições impostas pelas forças de repressão da ocupação desde o início da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã, em 28 de fevereiro. Desde então, foram impostas limitações a reuniões religiosas em toda a Palestina, com a presença em locais de culto, como mesquitas, igrejas e sinagogas, reduzida a cerca de 50 pessoas.
Em função dessas restrições, o Patriarcado Latino já havia cancelado a procissão anual de Domingo de Ramos, que tradicionalmente reúne grande número de fiéis e segue do Monte das Oliveiras até Jerusalém ocupada. Na nota, a instituição afirmou que os chefes das Igrejas vinham agindo com plena responsabilidade e cumprindo todas as restrições impostas desde o início da guerra.
A repressão contra cristãos nas terras ocupadas não é nova. Desde a fundação de “Israel”, as autoridades israelenses vêm impondo limitações à circulação e promovendo intimidações contra peregrinos cristãos. Paralelamente, setores da política oficial israelense passaram a tratar a hostilidade contra cristãos de forma aberta.
Um dos exemplos é o ministro da Polícia, Itamar Ben-Gvir, que afirmou que cuspir em cristãos seria “uma antiga tradição judaica”. Em 2023, o próprio Pizzaballa acusou as autoridades israelenses de estabelecerem uma “atmosfera cultural e política” capaz de justificar ou tolerar ações contra cristãos.




