Faixa de Gaza

‘Israel’ assassina 2º comandante das Brigadas Al-Qassam em 1 mês

Em nova violação do cessar-fogo vigente, exército sionista bombardeou bairro civil e assassinou comandante junto a sua esposa e três filhos

“Israel” assassinou Mohammad Odeh, recém-nomeado comandante das Brigadas Al-Qassam, em um bombardeio contra a Cidade de Gaza, informou o Hamas nesta quarta-feira (27). Odeh foi assassinado na terça-feira (26), no bairro de Rimal, no norte da Faixa de Gaza, junto com sua esposa e três filhos, Yasser, Yahya e Jamila.

Segundo testemunhas, pelo menos três grandes explosões atingiram o bairro quando moradores se preparavam para a Festa do Sacrifício (Eid al-Adha). Funcionários do hospital Al-Xifa informaram que ao menos seis pessoas foram assassinadas e outras 20 ficaram feridas no ataque. Relatos locais apontaram grande destruição na área, uma das mais densamente povoadas da Cidade de Gaza.

O assassinato ocorre poucos dias depois de Odeh ter sido nomeado comandante das Brigadas Al-Qassam, braço armado do Hamas. Seu antecessor, Izz al-Din al-Haddad, foi assassinado por “Israel” em 15 de maio, no mesmo bairro. Com isso, a ocupação assassinou o segundo comandante da organização em menos de um mês.

Em nota, o Hamas afirmou que Odeh, conhecido como Abu Amro, foi uma das figuras fundadoras das Brigadas Al-Qassam. O partido destacou que ele integrou a primeira geração do aparato militar palestino e trabalhou ao lado de dirigentes históricos como Abu Muadh al-Namrouti, Mohammad al-Deif e o xeique Salah Xeade.

O Hamas declarou que Odeh “se elevou firme e orgulhoso nos campos da luta e da entrega, escrevendo uma nova página de orgulho e dignidade com seu sangue puro”.

Odeh atuou durante cerca de 30 anos ao lado de dirigentes da resistência palestina. Apesar da importância militar, permaneceu praticamente desconhecido do público. De acordo com o Hamas, viveu longe dos holofotes e apareceu pouco em registros públicos, com exceção de uma fotografia obtida por forças israelenses após a Operação Dilúvio de Al-Aqsa.

Sua trajetória nas Brigadas Al-Qassam incluiu funções de direção na fabricação militar, no comando de batalhões, na inteligência de combate e na Brigada do Norte. Em 2001, assumiu um departamento central da fabricação militar. Em 2009, foi nomeado comandante do Batalhão Al-Khalifah. Posteriormente, atuou como vice-comandante da Brigada do Norte, chefe da inteligência de combate e, entre 2015 e 2020, comandante da própria Brigada do Norte.

De 2020 ao início de 2022, Odeh comandou o apoio de armas e os serviços de combate. A partir de 2022, durante a Operação Dilúvio de Al-Aqsa e até seu assassinato, foi comandante da inteligência militar das Brigadas Al-Qassam e integrante do sistema de segurança nacional do Hamas. Segundo o partido, ele dirigia um dos arquivos mais sensíveis da organização e assinava documentos enviados à direção com o codinome “Yasser”.

O Hamas afirmou reiteradamente que “Israel” se engana ao acreditar que o assassinato de dirigentes da resistência forçará a rendição do partido ou o abandono da luta armada. A organização declarou que “a política de assassinatos não porá fim à resistência palestina”.

O ataque ocorre em meio a novas denúncias do Hamas sobre violações israelenses do cessar-fogo na Faixa de Gaza. Na terça-feira, o partido denunciou que a manutenção da chamada “Linha Laranja” por parte da ocupação constitui uma violação grave do acordo e uma tentativa de impor novas condições no terreno por meio da força militar.

Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, afirmou que os crimes israelenses em Gaza representam “um golpe claro contra os entendimentos e acordos alcançados sob patrocínio dos mediadores”. Segundo ele, os entendimentos previam a retirada das forças de ocupação e impediam a imposição de novas condições no terreno, mas “Israel” continuou bombardeando, destruindo moradias e realizando incursões em áreas civis.

A situação humanitária também segue crítica. O representante da Organização Mundial da Saúde nos territórios palestinos afirmou que as condições na Faixa de Gaza são “miseráveis” e alertou que milhares de feridos não recebem atendimento urgente. Segundo ele, a entrada imediata de equipamentos e insumos médicos é indispensável para tratar pacientes e conter infecções, doenças e epidemias em hospitais e abrigos superlotados.

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