O Irã retomou, neste domingo (31), a produção de gás natural em três plataformas marítimas do campo South Pars, no Golfo Pérsico, após a paralisação provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de “Israel” contra instalações de processamento no sul do país.
A informação foi divulgada por Touraj Dehghani, diretor-executivo da Pars Oil and Gas Company, em declaração à agência iraniana IRNA. Segundo ele, as plataformas não sofreram danos diretos, mas a produção precisou ser suspensa porque parte da infraestrutura em terra, na província de Bushehr, foi atingida, impedindo o processamento do gás extraído no mar.
“Com ênfase nas capacidades técnicas dos especialistas da indústria petrolífera, na gestão integrada da produção e no uso do máximo potencial existente, a restauração das capacidades de produção e processamento de gás natural neste campo compartilhado avança com sucesso. Neste momento, três plataformas marítimas de South Pars já retomaram a produção”, afirmou Dehghani.
O gás extraído nas plataformas retomadas está sendo redirecionado para outras unidades de processamento da região, enquanto prosseguem os trabalhos de reparo nas instalações danificadas, entre elas a refinaria da Fase 14. Dehghani afirmou que medidas técnicas e operacionais no setor posterior da cadeia produtiva, somadas ao uso da capacidade ociosa de refinarias em funcionamento, permitiram a retomada parcial.
South Pars é compartilhado por Irã e Catar e é apontado como o maior campo de gás natural do mundo. A área responde por mais de 70% do abastecimento de gás natural do Irã e fornece grande parte da matéria-prima para a indústria petroquímica iraniana. Por isso, os ataques contra a região de Assaluyeh e contra instalações do campo tiveram como alvo um dos principais centros energéticos do país.
Os ataques contra instalações de petróleo e gás de South Pars e da região de Assaluyeh ocorreram em março, durante a agressão iniciada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã em 28 de fevereiro. À época, Donald Trump afirmou que não sabia previamente do ataque terrorista de “Israel” contra o campo de South Pars, embora relatos posteriores tenham indicado coordenação com os Estados Unidos.
Após os bombardeios, o Irã respondeu com ataques de mísseis e VANTs contra territórios ocupados por “Israel” e contra bases militares norte-americanas em países da região. O ataque contra South Pars também provocou uma resposta iraniana contra instalações militares e empresas de energia ligadas aos Estados Unidos.
Duas semanas antes do anúncio de Dehghani, Ismail Hosseini, membro da Comissão de Energia do Parlamento iraniano, afirmou que o país havia concluído os planos para reconstruir e modernizar a infraestrutura de refino e petroquímica da região de South Pars com recursos e especialistas iranianos.
“Planos foram desenvolvidos para restaurar e modernizar a infraestrutura de refino e petroquímica da região de South Pars usando recursos intelectuais internos. Todo o processo de remoção de escombros, restauração e renovação da infraestrutura deve ser concluído em no máximo dois anos”, declarou Hosseini, conforme a agência iraniana ISNA.
Segundo o parlamentar, as autoridades iranianas esperam concluir cerca de metade das obras de reconstrução até o inverno de 2027. A meta é recuperar integralmente a capacidade de produção e processamento do complexo, apesar do bloqueio e das ameaças dos Estados Unidos.





