O futebol, longe de ser apenas um espetáculo de entretenimento alienante promovido pelo monopólio capitalista, constitui-se historicamente como um palco de profunda expressão da luta de classes e do sentimento nacional popular. Isso é o que está sendo demonstrado pela participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de Futebol, nos Estados Unidos.
A delegação iraniana sofreu fortes restrições dos EUA, sendo obrigada a treinar no México e a permanecer fora do território norte-americano entre os jogos. Além disso, o governo dos EUA impediu a entrada de diversos dirigentes, jogadores e membros da comissão técnica no país, submetendo-os, inclusive, a interrogatórios policiais, além de sabotar a estrutura logística da equipe.
Em campo contra o imperialismo
Ao enfrentar em campo potências europeias em pleno solo norte-americano, os atletas iranianos operaram uma transformação simbólica: o futebol tornou-se um espaço de denúncia anti-imperialista e de afirmação da soberania nacional.
A resistência esportiva da delegação reflete diretamente o martírio e a resistência do povo iraniano diante da agressão militar aberta perpetrada pela coalizão ocidental e sionista. O bombardeio conjunto dos EUA e de “Israel” contra uma escola pública em Minab, que ceifou a vida de 168 estudantes, representa o caráter bárbaro e criminoso do imperialismo, que não hesita em massacrar civis para impor seu domínio geopolítico.
Diante do bloqueio informativo e do cerco diplomático impostos por Washington, que inclusive restringiu a circulação dos desportistas iranianos, o gesto da equipe ao deixar uma carta manuscrita no vestiário de Los Angeles quebrou a censura imperialista. A evocação das vítimas de Minab no coração do território agressor expõe as atrocidades da guerra e subverte a narrativa oficial do Departamento de Estado norte-americano.
Em campo, a luta de um povo
As manifestações das autoridades iranianas, que associam o excelente desempenho defensivo contra a Bélgica à própria defesa do território, demonstram como o futebol adquire um caráter de dignidade nacional e de coesão contra o inimigo externo.
A ilustração do goleiro Beiranvand amparado pelas meninas martirizadas sintetiza o sentimento de que cada lance na Copa é parte de uma luta maior pela sobrevivência da pátria. A possibilidade que existia, até o fechamento desta edição, de um confronto contra os EUA projetava um embate que transcende o esporte, configurando-se como o choque direto entre a resistência de um povo agredido e a prepotência da máquina de guerra imperialista.
O futebol afirma-se como um instrumento legítimo de propaganda e de luta dos povos oprimidos contra a opressão global, como em tantos outros momentos.


