O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) denunciou na sexta-feira (3) que o ataque contra uma usina de geração de energia e dessalinização no Cuaite foi uma nova operação de bandeira falsa promovida pelos Estados Unidos e por “Israel”. A denúncia foi apresentada após o governo cuaitiano atribuir ao Irã a ação contra a instalação civil, atingida horas depois de um ataque à refinaria de Al-Ahmadi.
Em nota, o escritório de relações públicas do CGRI condenou o ataque como um “ato desumano” levado a cabo pelos agressores e declarou que a ação “não convencional e ilegítima” contra a infraestrutura energética e civil do Cuaite expressa a “vileza” e a “baixeza” da coalizão norte-americana e sionista.
O CGRI também advertiu os países da região para que permaneçam vigilantes diante das tentativas dos Estados Unidos e de “Israel” de desestabilizar e destruir a Ásia Ocidental. Ao mesmo tempo, reiterou que as bases militares norte-americanas, o efetivo dos EUA na região e as instalações militares e de segurança de “Israel” nos territórios palestinos ocupados seguem como alvos das operações de represália iranianas.
A denúncia iraniana veio depois que o Ministério da Eletricidade, Água e Energia Renovável do Cuaite responsabilizou o Irã pelo ataque à usina. As autoridades cuaitianas não identificaram qual instalação foi atingida nem informaram imediatamente a dimensão dos danos. Ainda assim, o governo local atribuiu a ação a Teerã antes do meio-dia de sexta-feira.
O Irã negou a acusação e deslocou a responsabilidade para “Israel”. Segundo o CGRI, a ação contra centros de dessalinização cuaitianos fez parte de uma tentativa calculada de ampliar a guerra e comprometer países vizinhos. O governo iraniano sustenta há tempos que os Estados Unidos e o regime sionista organizam operações desse tipo para envolver os países árabes do Golfo Pérsico no confronto militar contra a República Islâmica.
Horas antes do ataque à usina, a refinaria de Al-Ahmadi já havia sido atingida. A agência estatal KUNA informou que a ação provocou incêndios em “diversas unidades operacionais” e que nenhum funcionário ficou ferido. Equipes de emergência e bombeiros foram enviadas ao local, enquanto especialistas ambientais passaram a acompanhar a qualidade do ar.
Segundo informações divulgadas por veículos locais e reproduzidas pela Al Jazeera, foi a terceira vez que a refinaria foi atingida desde o início da guerra. O correspondente Malik Traina, falando da Cidade do Cuaite, informou que a população do país se encontrava em “alerta máximo”. A refinaria de Al-Ahmadi é uma das maiores do Oriente Médio.
Ainda de acordo com a KUNA, sirenes foram acionadas no Cuaite durante explosões no ar e interceptações de mísseis e VANTs. A agência havia advertido, em publicação anterior, que “ataques hostis com mísseis e drones” estavam em curso no país. Em paralelo, autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram que 12 pessoas ficaram feridas quando escombros de interceptações caíram em solo emiradense.
O governo iraniano vem afirmando que os países vizinhos são nações amigas e irmãs. Por isso, insiste em conclamar os países árabes do Golfo Pérsico a expulsarem as forças norte-americanas da região, apresentadas por Teerã como o principal fator de desestabilização.
A vulnerabilidade do Cuaite diante desse tipo de operação ficou ainda mais evidente nos últimos dias. Em 30 de março, um trabalhador indiano foi assassinado após o ataque a uma usina cuaitiana de energia e dessalinização. Na ocasião, o Irã também rejeitou as acusações de que teria sido o responsável e apontou “Israel” como autor da ação.
Na sexta-feira, após os novos ataques, o príncipe herdeiro do Cuaite, xeque Sabah Khaled, conversou com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sobre o envio de um sistema britânico de defesa antiaérea terrestre ao país, segundo informou a KUNA.




