O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) atingiu instalações ligadas às empresas norte-americanas Amazon e Oracle no Barém e nos Emirados Árabes Unidos, após advertir que grandes companhias de tecnologia envolvidas nas operações militares e de inteligência dos Estados Unidos e de “Israel” passariam a ser consideradas alvos militares. A ação contra a Amazon foi revelada em 1º de abril pelo inglês Financial Times. Já o ataque contra a Oracle foi anunciado pelo próprio CGRI em nota divulgada na quinta-feira (2).
Segundo o Financial Times, uma instalação de computação em nuvem da Amazon foi danificada por um míssil iraniano no Barém. O jornal informou, com base em uma fonte, que o alvo atingido foi a sede da Batelco, em Hamala, onde funciona infraestrutura da Amazon Web Services, serviço lançado no país em 2019.
No mesmo dia, o Ministério do Interior do Barém informou que equipes da defesa civil combatiam um incêndio em uma instalação empresarial provocado pela “agressão iraniana”, sem identificar a empresa atingida nem dar detalhes sobre o ataque. Procurada pelo jornal inglês, a Amazon não comentou o caso.
A ação ocorreu poucos dias depois de o CGRI divulgar uma advertência pública listando várias gigantes da tecnologia dos Estados Unidos como possíveis alvos militares. Segundo a nota, essas empresas cumprem papel decisivo na seleção e no rastreamento de alvos de assassinato e, por isso, as instituições envolvidas nesse tipo de operação seriam tratadas como “alvos legítimos”.
O comunicado aconselhou os funcionários dessas empresas a deixarem imediatamente seus locais de trabalho e orientou os moradores de áreas situadas em um raio de um quilômetro dessas instalações, em vários países da região, a procurarem locais seguros. Entre as companhias mencionadas estavam Cisco, HP, Intel, Oracle, Microsoft, Apple, Google, Meta, IBM, Dell, Palantir, Nvidia, J.P. Morgan, Tesla, General Electric, Spire Solutions, G42 e Boeing.
Na quinta-feira, o CGRI anunciou ter atingido também um centro de dados e infraestrutura computacional da Oracle nos Emirados Árabes Unidos. Segundo a nota do órgão, a operação foi uma resposta direta aos mais recentes assassinatos cometidos contra cidadãos iranianos.
“Como advertimos, em resposta ao assassinato de cidadãos iranianos, atingiremos empresas espiãs de inteligência, tecnologia da informação e inteligência artificial que são pilares das operações terroristas do inimigo”, afirmou o CGRI.
Na mesma nota, o corpo militar informou que a ação contra a Oracle seguiu a mesma linha da operação anterior. “Após a destruição da infraestrutura de computação em nuvem da empresa norte-americana Amazon em resposta ao assassinato do comandante Fathalizadeh, hoje o centro de dados e a infraestrutura computacional da empresa norte-americana Oracle, sediada nos Emirados, foram atingidos em resposta ao assassinato do dr. Kamal Kharrazi e de sua esposa”.
Kharrazi, que dirige o Conselho Estratégico de Relações Exteriores do Irã e foi ministro das Relações Exteriores entre 1997 e 2005, ficou gravemente ferido no ataque. Sua esposa foi assassinada.
O CGRI advertiu ainda que outras empresas poderão ser atingidas caso novos assassinatos ocorram. “Se os crimes forem repetidos e outro assassinato ocorrer, a próxima empresa deve estar pronta para receber uma resposta decisiva”, afirmou.
As duas operações foram apresentadas pelo Irã como parte de uma mudança na natureza do confronto, em que empresas de tecnologia deixam de ser vistas apenas como prestadoras de serviços civis e passam a ser tratadas como parte da infraestrutura militar do imperialismo. Nos últimos anos, essas corporações se tornaram peças importantes das operações dos Estados Unidos e de “Israel”, especialmente no armazenamento, processamento e uso de grandes volumes de dados para fins militares e de inteligência.
Em março, Jamal Meselmani escreveu no The Cradle que empresas como Amazon, Microsoft e Google fornecem a infraestrutura que permite a governos e exércitos armazenar, analisar e utilizar dados decisivos. Segundo ele, essas plataformas sustentam avaliações de inteligência, logística de campo de batalha e sistemas de comando e controle em diversos teatros de guerra.
Ainda segundo Meselmani, instalações que vão de Telavive a cidades do Golfo Pérsico, como Dubai, Abu Dhabi e Manama, hospedam serviços em nuvem utilizados por instituições estatais, agências de inteligência e empresas da indústria bélica.
No caso da Oracle, o vínculo com o aparato militar e de espionagem dos Estados Unidos é ainda maior. A empresa fornece bancos de dados, infraestrutura em nuvem, programas corporativos e soluções de segurança digital ao Departamento da Guerra dos EUA, ao Pentágono, a agências de inteligência e a órgãos civis federais. Seus sistemas são utilizados pela Agência de Segurança Nacional, pela CIA, pela Agência de Inteligência de Defesa e pelos vários ramos das Forças Armadas norte-americanas para gerir dados necessários a operações de inteligência, definição de alvos e planejamento militar.
A Oracle também integra o programa militar Joint Warfighting Cloud Capability, ao lado de outras grandes fornecedoras de nuvem, e mantém cooperação de longa data com órgãos de espionagem norte-americanos nas áreas de análise de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Além disso, a empresa possui presença importante nos territórios palestinos ocupados, com centros de pesquisa e desenvolvimento em Herzliya, Petah Tikva e Haifa. Suas tecnologias são empregadas em sistemas de comando e controle militar, plataformas de análise de inteligência, gestão logística e comunicações seguras. Seus serviços em nuvem vêm sendo adotados cada vez mais por órgãos militares de “Israel”, inclusive em projetos conjuntos voltados ao desenvolvimento de ferramentas avançadas de análise de dados e inteligência artificial.




