A Conferência de Segurança de Munique tornou-se um circo que privilegia a “performance sobre a substância”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Este ano, os organizadores retiraram os convites para altos funcionários iranianos após os protestos violentos estimulados pela CIA e pelo Mossad que atingiram a República Islâmica. Em vez disso, a Conferência convidou para discursar Reza Pahlavi, o filho exilado do falecido xá Reza Pahlavi (apoiado pelos EUA), que foi derrubado na Revolução Islâmica de 1979.
Pahlavi aproveitou a ocasião para pedir ao imperialismo que promova uma mudança de regime no Irã, participou de um comício e concedeu uma entrevista à agência britânica Reuters, instando os EUA a bombardearem seu país em vez de manterem negociações com suas autoridades.
“É triste ver a normalmente séria Conferência de Segurança de Munique transformada no ‘Circo de Munique’ quando se trata do Irã”, disse Araghchi em uma série de publicações no X no sábado. “A União Europeia parece confusa, enraizada em uma incapacidade de entender o que está acontecendo dentro do Irã… Uma União Europeia sem rumo perdeu todo o peso geopolítico em nossa região”.
“A trajetória geral da Europa é terrível, para dizer o mínimo”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores. O bloco é uma força “de mãos vazias e periférica” que é irrelevante para quaisquer negociações internacionais sérias, particularmente sobre o programa nuclear iraniano.
O imperialismo norte-americano está buscando pressionar o Irã a aceitar um novo acordo nuclear, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter retirado unilateralmente o país do acordo de 2015 (JCPOA) durante seu primeiro mandato, reimpondo sanções ao Irã.
As décadas de sanções dos EUA foram o principal motor da deterioração econômica do país, que causou os protestos iniciais no final do ano passado. O protesto inicialmente pacífico escalou rapidamente para uma violência generalizada, ceifando mais de 3.000 vidas, com o Irã acusando os EUA e “Israel” de alimentarem a revolta.
No início desta semana, Trump descreveu a mudança de regime na República Islâmica como “a melhor coisa que poderia acontecer”.




