O Comando Naval do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu, neste sábado (9), que qualquer ataque contra petroleiros ou navios comerciais iranianos no Golfo Pérsico ou em outras águas terá uma resposta pesada contra centros militares dos Estados Unidos na região e contra embarcações inimigas.
A declaração foi feita em meio ao aumento das provocações militares dos Estados Unidos no estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo. Segundo o CGRI, o Irã está comprometido com a defesa de seus interesses marítimos, com a passagem segura de sua frota comercial e com a proteção de suas exportações de petróleo.
“Alerta! Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos resultará em um ataque pesado contra um dos centros norte-americanos na região e contra navios inimigos”, afirmou o Comando Naval do CGRI.
A nota destacou que a República Islâmica não aceitará ameaças contra suas embarcações nem tentativas de interromper suas rotas comerciais. A advertência foi dirigida aos Estados Unidos e a seus aliados, que vêm ampliando a movimentação militar no Golfo Pérsico e nos arredores do estreito de Ormuz.
Nos últimos dias, as forças navais do CGRI repeliram manobras agressivas de destróieres norte-americanos que tentaram desafiar o controle iraniano sobre o estreito. Após ataques dos Estados Unidos contra navios e petroleiros iranianos perto de Jasque, a Marinha do CGRI realizou uma operação com mísseis balísticos antinavio, mísseis de cruzeiro e VANTs de alto poder explosivo.
Segundo fontes militares iranianas, a operação atingiu alvos inimigos, provocou danos importantes e obrigou embarcações dos Estados Unidos a deixar a área. As autoridades iranianas afirmaram repetidas vezes que as ações militares norte-americanas ameaçam a segurança marítima regional e a navegação internacional.
O CGRI também afirmou que os únicos corredores seguros para a travessia do estreito de Ormuz são aqueles definidos pela República Islâmica. Qualquer desvio ou movimento hostil de forças estrangeiras será enfrentado de forma imediata.
O estreito de Ormuz é uma passagem decisiva para o comércio mundial de petróleo e está sob vigilância direta das forças iranianas. O Comando Naval do CGRI afirmou exercer controle integral e inteligente sobre a região, protegendo as embarcações iranianas e advertindo forças estrangeiras contra novas provocações.
Mísseis apontados para alvos dos EUA
Também neste sábado, o comandante da Força Aeroespacial do CGRI, brigadeiro-general Saied Majid Mousavi, afirmou que os mísseis e VANTs iranianos estão apontados para alvos norte-americanos e navios inimigos em toda a região do Golfo Pérsico.
“Os mísseis e VANTs aeroespaciais estão travados no inimigo e estamos aguardando a ordem de disparo”, declarou Mousavi em uma publicação nas redes sociais.
A declaração do comandante do CGRI reforça a posição apresentada pelo Comando Naval. Segundo as autoridades iranianas, a República Islâmica não aceitará novas agressões dos Estados Unidos contra seus navios, suas exportações e sua presença no Golfo Pérsico.
A força aeroespacial do CGRI é um dos principais elementos da defesa iraniana. Seus sistemas de mísseis e VANTs têm sido utilizados para conter a presença militar estrangeira na região e para responder aos ataques dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã e seus aliados.
A Marinha do CGRI afirmou que permanece em alerta máximo e pronta para agir imediatamente em defesa dos interesses iranianos e da segurança do Golfo Pérsico.
Irã adverte Barém e Emirados Árabes Unidos
As advertências militares foram acompanhadas de declarações de parlamentares iranianos contra países do Golfo alinhados aos Estados Unidos e a “Israel”. Na sexta-feira (8), Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, advertiu governos que apoiam uma resolução patrocinada pelos Estados Unidos contra o Irã.
Em publicação no X, Azizi afirmou:
“Advertimos governos, incluindo pequenos países como Barém, que ficar do lado da resolução apoiada pelos Estados Unidos trará consequências severas.”
“O estreito de Ormuz é uma linha vital; não arrisquem fechá-lo para si mesmos para sempre”, acrescentou.
Outro integrante da direção do Parlamento iraniano, Rouhollah Motefakker Azad, afirmou que os Estados Unidos e “Israel” caminham para a derrota na guerra contra o povo iraniano e os combatentes da resistência.
“A derrota dos norte-americanos e dos sionistas na batalha contra o povo iraniano e seus combatentes é inevitável, e os sinais dessa derrota começaram a aparecer em todas as frentes”, disse.
Azad também advertiu os Emirados Árabes Unidos contra uma participação mais direta no conflito. Segundo ele, Abu Dhabi deve evitar agir em defesa dos interesses dos Estados Unidos e de “Israel”.
“Se os Emirados Árabes Unidos possuem racionalidade estratégica, nunca se colocarão em uma situação maior do que seu tamanho e suas capacidades em nome dos interesses dos sionistas e dos Estados Unidos, que fracassaram nesta arena”, afirmou.
O parlamentar disse ainda que o Irã já demonstrou capacidade de conter as ações tanto dos Estados Unidos quanto de “Israel”. “Os emiradenses são aconselhados a entender as regras desta guerra e a não entrar em uma arena além de sua capacidade e escala”, declarou.
Vice-presidente iraniano fala em três frentes
Na sexta-feira, o vice-presidente iraniano Mohammad Reza Aref afirmou que o Irã continuará seus esforços diplomáticos “com base na razão e na ética”, ao mesmo tempo em que permanece “muito firme na defesa de seus direitos”. A declaração foi feita durante reunião com administradores da Companhia Siderúrgica Mobarakeh.
Aref afirmou que a estratégia iraniana está apoiada em três frentes: a “arena militar, a rua e a diplomacia”. Segundo ele, o país deve organizar seu planejamento nacional de acordo com sua posição como “grande potência global”.
O vice-presidente também defendeu maior rapidez nos trabalhos de reconstrução, renovação e modernização de indústrias atingidas pela guerra.
Reino Unido desloca navio para a região
No mesmo dia das advertências iranianas, o Reino Unido anunciou o envio do HMS Dragon para a Ásia Ocidental como parte dos preparativos para uma possível operação multinacional destinada a garantir a passagem marítima pelo Estreito de Ormuz, informou a Reuters.
O destróier de defesa aérea havia sido enviado ao Mediterrâneo Oriental em março, após o início da guerra contra o Irã, em uma missão apresentada pelo governo britânico como defesa de Chipre. A transferência para a região ocorre após a decisão da França de enviar seu grupo aeronaval para o sul do mar Vermelho.
Segundo o Ministério da Defesa britânico, a medida integra o planejamento de uma possível coalizão multinacional dirigida pelo Reino Unido e pela França.
“O pré-posicionamento do HMS Dragon faz parte de um planejamento prudente que garantirá que o Reino Unido esteja pronto, como parte de uma coalizão multinacional liderada conjuntamente pelo Reino Unido e pela França, para assegurar o estreito, quando as condições permitirem”, afirmou um porta-voz do ministério.
O Reino Unido e a França também trabalham em uma proposta mais ampla para restabelecer a confiança nas rotas comerciais pelo estreito de Ormuz. Autoridades envolvidas afirmaram que a iniciativa exigirá coordenação com o Irã. Cerca de 12 países manifestaram disposição para participar.
O presidente francês Emmanuel Macron já havia anunciado, no mês passado, planos de organizar com o Reino Unido uma conferência sobre a navegação no estreito de Ormuz. Planejadores militares de mais de 30 países se reuniram entre os dias 22 e 23 de abril no Quartel-General Permanente Conjunto do Reino Unido, em Northwood, no norte de Londres, para discutir capacidades militares, comando, controle e deslocamento de forças para a região.





