Humans Rights Watch iniciou uma nova campanha internacional de calúnias contra o governo de Burquina Fasso ontem (2). Segundo a ONG imperialista, mais de 1.800 civis teriam sido mortos entre 2023 e 2025 no país africano, em ações atribuídas tanto a grupos armados quanto às forças governamentais. O dado consta de um relatório de cerca de 250 páginas divulgado em 2 de abril.
Segundo a ONG, os ataques teriam sido cometidos por elementos do chamado Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado da Al-Qaeda, e por forças estatais burquinenses, incluindo grupos armados denominados Voluntários para a Defesa da Pátria (VDP). O relatório afirma basear-se em centenas de testemunhos recolhidos no país.
Ainda segundo a Human Rights Watch, as populações locais estariam submetidas a ataques constantes de grupos jiadistas, enquanto o exército responderia com ações que também atingiriam civis, em especial membros da comunidade fula. A ONG afirma que as forças governamentais justificam operações com base em acusações de colaboração dessa população com grupos armados ligados à Al-Qaeda.
O documento menciona, por exemplo, que em março de 2025, na região de Solenzo, pelo menos 58 civis teriam sido mortos em uma ação atribuída aos VDP e ao exército, conforme um testemunho citado no relatório. A organização também afirma que poderiam estar ocorrendo “crimes de guerra” ou “crimes contra a humanidade”, além de alegar ataques de caráter étnico.
Segundo a ONG, a justiça local “não seria imparcial” e haveria supostos riscos para vítimas e testemunhas. O relatório menciona o caso de um advogado que, após investigar um ataque, teria sido recrutado à força pelo exército. A entidade também solicita a intervenção do Tribunal Penal Internacional para investigar os fatos e defende que o chefe da transição, Ibrahim Traoré, seja alvo de apuração, mostrando o caráter golpista da campanha do imperialismo, que manifesta abertamente querer uma mudança de regime no país africano.
Os dados apresentados pela Human Rights Watch, no entanto, misturam situações distintas ao atribuir responsabilidades de forma genérica tanto às forças do Estado quanto a grupos armados ligados à Al-Qaeda, organização responsável por ataques sistemáticos contra a população e o próprio Estado burquinense. Com isso, tenta diminuir a agressão externa que atinge o país.
A ofensiva imperialista ocorre após o processo político que levou à ascensão de um governo nacionalista em Burquina Fasso, resultado de um golpe apoiado amplamente pelas massas e que promoveu mudanças importantes na estrutura econômica do país. Entre essas medidas estão a nacionalização de setores estratégicos e o enfrentamento direto de interesses imperialistas, especialmente ligados à França.
O novo governo passou a adotar uma política de maior independência em relação ao imperialismo, o que provocou reações de organismos internacionais e da imprensa dos países do bloco. A campanha atual faz parte da pressão contra governos que buscam romper com a dominação econômica e militar das potências imperialistas, utilizando relatórios e denúncias que, ao mesmo tempo em que apresentam dados falsos, omitem informações importantes. Em especial o “estudo” ignora o apoio das agências de inteligência do imperialismo aos grupos mercenários que atacam sistematicamente a população de Burquina Fasso, buscando desestabilizar o governo nacionalista e pressionar por uma mudança de regime na tentativa de reaver para as grandes multi-nacionais, especialmente francesas, o controle econômico dos setores estratégicos nacionalizados após a ascensão de Traoré.




