A Hungria caminha para uma das eleições mais tensas de sua história recente. A disputa parlamentar, marcada para 12 de abril, acontece em meio ao choque entre o governo de Viktor Orbán, do Fidesz, no poder há 16 anos, e o imperialismo europeu. O principal motivo da crise é a posição de Orbán diante da guerra na Ucrânia e da política da União Europeia. O governo húngaro vem se opondo à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e usando seu poder de veto para bloquear medidas de apoio ao governo ucraniano. Entre elas, está um pacote de cerca de 90 bilhões de euros em ajuda militar e financeira.
A questão energética também aprofundou a crise. Enquanto a União Europeia se prepara para uma guerra contra a Rússia, a Hungria manteve sua política de cooperação com o país eslavo, alegando que isso é vital para sua economia. Orbán aponta, por exemplo, a dependência do país do oleoduto Druzhba. Quando a Ucrânia se recusou a consertar trechos danificados da estrutura, o governo húngaro endureceu ainda mais sua posição no Conselho Europeu.
A resposta da União Europeia foi aumentar a pressão. Em um episódio revelador, líderes do bloco chegaram a sugerir que Orbán saísse da sala para que a candidatura da Ucrânia à União Europeia pudesse avançar sem seu veto. Além disso, o bloco congelou 10 bilhões de euros destinados à Hungria, sob a alegação de “violação do Estado de Direito”.
Ao mesmo tempo, cresceram as pesquisas de institutos ligados à imprensa e aos centros políticos do imperialismo apontando ampla vitória da oposição. Algumas chegaram a falar em vantagem de até 23 pontos. Outras, divulgadas em abril de 2026, colocam o partido Tisza, de Péter Magyar, com 50% das intenções de voto, contra 40% do Fidesz. A operação é conhecida: cria-se desde já o clima de que Orbán só pode vencer por fraude.
Caso o resultado real não confirme esse roteiro, a diferença entre as urnas e as pesquisas servirá de base para a denúncia de manipulação eleitoral. É o mesmo método usado em várias operações de desestabilização patrocinadas pelo imperialismo, como se viu recentemente em outros países — entre eles, a Venezuela.
Péter Magyar aparece como a principal peça interna dessa manobra. Ex-integrante do próprio sistema ligado ao Fidesz, ele rompeu com o governo e passou a liderar uma oposição abertamente pró-União Europeia. Sua promessa central é simples: submeter a Hungria à União Europeia, liberar os bilhões congelados e reintegrar o país ao fluxo financeiro europeu. A oposição também vem atuando nas ruas, com protestos e marchas organizadas em 2025 e neste ano, além de grande uso das redes sociais. O padrão lembra as chamadas “revoluções coloridas” do Leste Europeu.
O governo húngaro afirma que já há uma operação de ingerência em curso. Em março de 2026, Orbán ordenou medidas extraordinárias de segurança e denunciou planos de desestabilização ligados a setores estrangeiros, inclusive a partir da Ucrânia. Para o governo, a eleição passou a ser uma questão de defesa nacional.
O caso húngaro segue um roteiro já conhecido. primeiro, impõe-se pressão econômica. Depois, alimenta-se a oposição com apoio político e de imprensa. Em seguida, fabricam-se expectativas irreais por meio das pesquisas. Se o governo vence, fala-se em fraude. Se perde, apresenta-se a derrota como “retorno à democracia”.
A votação de 12 de abril deverá ter desdobramentos importantes. Uma derrota de Orbán significaria a eliminação de um dos principais focos de resistência dentro da União Europeia à política de guerra contra a Rússia. Já uma vitória do Fidesz tende a aprofundar a crise com o bloco europeu e a pressão imperialista sobre o país.





