Guerra no Oriente Próximo

Identitários estão mais preocupados com árvores que com as crianças

A natureza virou uma divindade para a esquerda pequeno-burguesa, que se preocupa mais com o clima do que com a própria vida

Apocalipse

O identitarismo, e outras tendências pequeno-burguesas, como o ecossocialismo, fizeram a esquerda se perder e abandonar completamente as bandeiras do socialismo. Isso fica muito explícito no artigo, A Guerra no Irã e o agravamento da crise climática, de Dante Mariano, publicado no sítio Esquerda Online nesta quarta-feira (1º).

A incompreensão de que o desenvolvimento econômico é fundamental para o socialismo faz com que o autor escreva na abertura do texto que “no Brasil, a guerra reforça pressões internas por expansão da indústria fóssil”.

Em vez de reconhecer que a guerra do imperialismo contra o Irã mostrou a importância da soberania nacional, Dante Mariano utiliza um termo pejorativo: “indústria fóssil”. Uma alusão ao recorrente uso do termo “combustível fóssil”, como se o petróleo se resumisse a combustíveis – não que isso seja pouco –, mas suas aplicações são as mais variadas possíveis.

Não se poderia, por exemplo, utilizar um computador, ou um celular, se não houvesse petróleo.

Motivos

No segundo parágrafo, o autor diz que “a guerra emerge como uma disputa mais ampla pelo controle do mercado global de energia, com efeitos diretos sobre a expansão do petróleo, ampliação da disputa por mercados energéticos estratégicos e consequente agravamento da crise climática global”. No entanto, existem outros motivos muito importantes que contribuem para a agressão imperialismo.

O Irã, além de sua posição estratégica para o transporte de mercadorias da China e da Rússia, pois dá acesso ao golfos de Omã, Pérsico, ao Oceano da Índico e ao norte da África; é o país que, após a Revolução Islâmica (1979) se tornou um objetivo incontornável do imperialismo.

Diante dessa realidade, o Irã passou a se preparar para o confronto e montou o Eixo da Resistência, uma força que desafia a dominação imperialista na região, algo que o imperialismo não pode permitir.

Preocupação com o clima

Apesar do drama humano que se desenrola no Irã, com o assassinato sistemático de lideranças, civis, ataques a hospitais, escolhas, prédios residenciais e infraestrutura, uma coleção de crimes de guerra, Dante Mariano se preocupa em dizer que “segundo dados do Climate and Community Institute, apenas nas primeiras semanas da guerra, milhões de toneladas de CO₂ foram liberadas na atmosfera”.

Para Mariano, “uma análise da situação internacional não pode fazer uma separação entre guerra e crise climática”, porém, está totalmente enganado, mais importante é pensar na vida daqueles que estão lutando por sobrevivência contra a virulência do imperialismo. E ninguém vai ser ingênuo a ponto de acreditar que o grande capital vai se deter em função do gás carbônico na atmosfera.

O articulista tem a ilusão de que “recursos que poderiam garantir uma transição ecológica são destinados à indústria bélica, trazendo à tona a lógica do capital, que lucra com a guerra e funciona como motor a combustão das emergências climáticas, impedindo as transformações necessárias para o enfrentamento ao colapso ambiental em curso”.

Transição ecológica, é preciso acabar com esse mito, está longe de ser realidade, e dificilmente vai ser possível dentro do sistema capitalista, que privilegia o lucro. Para chegarmos até esse tipo de tecnologia, teremos que desenvolver muito a indústria (consequentemente a ciência) e isso vai demandar ainda a queima de muito combustível, é quase um paradoxo, mas é assim que funciona.

“Ecossocialisses”

Dante Mariano argumenta que “o conflito internacional tem sido utilizado como argumento para intensificar o lobby em favor da exploração de gás e petróleo, no Congresso Nacional, apresentando esses combustíveis como solução para a segurança energética do país. Esse tipo de discurso ganha mais força em momentos de crise, quando a urgência econômica se sobrepõe às questões socioambientais”.

Na verdade, é um absurdo que se necessite de uma guerra, e de lobby, para que se entenda a necessidade da exploração de gás e petróleo. O governo deveria estatizar toda a rede que envolve o petróleo: exploração, refino e transporte.

Mariano trata a questão de maneira inconsequente. Por acaso acredita que podemos viver sem petróleo? O governo não deve investir nesse setor em meio a uma crise de escassez?

É falso que o Brasil “enfrenta uma situação crítica de vulnerabilidade climática”, o que temos são tetos de gastos e uma dívida pública criminosa que drena os recursos dos estados e impede o investimento em obras públicas.

O País não pode ficar dependendo de “pressão gerada por guerra” para criar “novos empreendimentos de exploração de gás e petróleo”. O Brasil precisa se modernizar, se desenvolver em vez de parar no tempo.

Crise climática

Essa crise é uma invenção do imperialismo. A coisa nasceu dizendo que a Terra iria congelar, mudou para aquecimento global; e, agora, é rebatizada pela terceira vez como “crise climática”. É uma velha história que contam para forçarem os países atrasados como estão, vendendo commodities e comprando produtos ccom alto valor agregado.

O que essa esquerda faz é pintar o fim dos tempos, o Apocalipse. É impressionante ter que ler coisas do tipo “enqunto a crise climática exige redução urgente de emissões, a dinâmica da guerra e do mercado global empurra países na direção oposta”. Em nome de se “salvar o planeta”, se desumaniza o que está acontecendo no Irã. E, que sentido faz a Terra sem nós, seres humanos? Por acaso a natureza é uma divindade que paira sobre a humanidade?

É isso que temos uma esquerda religiosa, antimarxista que, na verdade, faz o jogo do imperialismo, que quer nos manter no atraso.

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