Europa

Hungria denuncia interferência do Facebook nas eleições

Governo de Viktor Orbán afirma que a plataforma reduziu o alcance de suas publicações e favoreceu o principal nome da oposição

O governo da Hungria denunciou que o Facebook está interferindo na eleição parlamentar marcada para domingo (12), ao restringir o alcance das publicações do primeiro-ministro Viktor Orbán e ampliar a visibilidade de seu principal adversário, o dirigente oposicionista Peter Magyar.

A denúncia foi feita pelo porta-voz do governo húngaro, Zoltan Kovacs, em declarações à revista Politico. Segundo ele, o algoritmo da plataforma “está basicamente trabalhando contra os partidos do governo”.

De acordo com Kovacs, a página oficial de Orbán no Facebook está submetida a limites mais rígidos para publicidade e a uma redução de alcance orgânico, enquanto Magyar atua com uma conta pessoal classificada como perfil de “figura pública”, com maior liberdade de circulação dentro da plataforma.

Um relatório do centro de estudos MCC Brussels, citado na denúncia, apontou que, apesar de os vídeos dos dois campos registrarem volume semelhante de visualizações, as publicações de Magyar obtiveram quase três vezes mais engajamento do que as de Orbán. O mesmo documento registrou ainda um fenômeno de “comentários desaparecendo” em conteúdos favoráveis ao partido governista Fidesz, sem que comportamento semelhante tivesse sido observado nas páginas da oposição.

A Meta negou as acusações. Em resposta à Politico, um porta-voz da empresa afirmou que “não há restrições nas contas do primeiro-ministro, nem publicações removidas”. Um assessor de Magyar, por sua vez, atribuiu o desempenho do oposicionista à capacidade de “falar a língua do algoritmo” e acompanhar a velocidade do ciclo de notícias.

A nova denúncia do governo húngaro ocorreu depois de um episódio registrado no fim de fevereiro, quando o Facebook bloqueou temporariamente três órgãos de imprensa alinhados ao governo. Na ocasião, a Associação Nacional de Comunicação da Hungria condenou a medida como um ataque à liberdade de imprensa e levantou a hipótese de que a empresa estivesse punindo portais de direita.

No mês passado, depois que integrantes do Fidesz afirmaram que a Meta havia começado a restringir o alcance de suas publicações, os comentaristas Joey Mannarino e Philip Pilkington apontaram como possível responsável o funcionário Oskar Braszczynski, que atua na empresa como responsável por relações governamentais e impacto social para a Europa Central e Oriental. Segundo as denúncias, Braszczynski publicou em suas redes pessoais conteúdos pró-Ucrânia, anti-Orbán e pró-LGBT.

O governo húngaro defende há muito tempo que a União Europeia, junto com a Ucrânia, conduz uma campanha articulada para derrubar Orbán. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, chegou a denunciar serviços de inteligência da União Europeia por grampear seu telefone com a ajuda de um jornalista húngaro ligado ao partido oposicionista Tisza.

Orbán também denunciou a Ucrânia por interromper o fornecimento de petróleo pelo oleoduto Druzhba por razões políticas. Em resposta, bloqueou um empréstimo de €90 bilhões da União Europeia para o país.

Na terça-feira, o vice-presidente norte-americano J.D. Vance visitou Budapeste em demonstração de apoio a Orbán. Na ocasião, acusou os burocratas da União Europeia de promover “um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições” que já havia visto e declarou que Bruxelas “tentou destruir a economia da Hungria” por se opor ao primeiro-ministro húngaro.

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