Governo de MG

Henrique Áreas: ‘só a mobilização do povo pode resolver os problemas do povo’

Candidato do PCO ao governo de Minas defendeu dissolução das polícias, não pagamento da dívida pública, reestatizações e organização dos trabalhadores

Henrique Áreas, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Minas Gerais, apresentou o programa do Partido durante entrevista ao Inter 1. A emissora ouviu nesta semana os candidatos que registraram menos de 5% das intenções de voto na pesquisa Quaest de 25 de agosto.

A primeira pergunta tratou de segurança pública. Áreas rejeitou a ideia de que o aumento da repressão possa solucionar a violência e relacionou o problema às condições de vida da população.

“Em primeiro lugar, o PCO não acredita que mais repressão vai resolver esse problema. Nós achamos que é preciso, em primeiro lugar, para resolver esse problema, medidas que permitam que a população viva melhor.”

Em seguida, apresentou a proposta do Partido de dissolução dos atuais aparatos policiais e sua substituição por órgãos de segurança eleitos diretamente pela população dos bairros.

“Do ponto de vista da segurança em si, a gente defende a dissolução das polícias, desde a Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Federal, e a substituição da polícia por órgãos eleitos democraticamente pelo povo, nos bairros. Então, a própria população vai eleger esse órgão de segurança que vai de fato representar o povo e que, inclusive, essas pessoas podem ser destituídas pela própria população se elas não cumprirem aquela questão.”

O candidato acrescentou a defesa do direito da população ao armamento. O programa do PCO prevê que a segurança seja organizada pelos próprios trabalhadores, com membros escolhidos e destituíveis pela população, em lugar das corporações policiais separadas do controle popular.

A política de segurança defendida pelo Partido inclui ainda a legalização de todas as drogas. A proibição sustenta um enorme comércio clandestino e serve de justificativa para operações policiais constantes nos bairros pobres, sem conseguir acabar com a venda ou o consumo de entorpecentes.

Questionado sobre uma prioridade para Minas Gerais, Áreas apontou o pagamento da dívida pública estadual. Os recursos destinados aos juros, afirmou, deveriam ser empregados no desenvolvimento do estado e nos serviços necessários à população.

“A primeira coisa que a gente tem chamado de atenção é o não pagamento da dívida. Porque isso? Porque a maior parte do dinheiro que está destinado à dívida, ela vem do produto interno bruto, do estado e do País, e esse dinheiro tem que ser usado para desenvolver o estado e desenvolver o País, mas ele vai para os juros que vão para os banqueiros.”

Áreas afirmou que a dívida já foi paga e que o crescimento dos juros transfere continuamente recursos públicos aos bancos e especuladores.

“Essa dívida, inclusive, já está paga. O que tem agora são os juros que vão criando uma bola de neve e esse dinheiro vai para os banqueiros, os especuladores. Então precisa interromper o pagamento da dívida para aí sim começar a investir de fato em segurança, em educação, em saúde, em infraestrutura etc.”

Sobre um eventual governo do PCO, o candidato defendeu a participação das organizações sindicais e a reversão das privatizações realizadas no estado.

“Num eventual governo do PCO, em primeiro lugar, nós teríamos um governo feito pelo próprio povo, nós chamaríamos as organizações sindicais para participar do governo. Então, uma das coisas que nós achamos essencial é a reestatização daquilo que está privatizado e interromper aquilo que está em processo de privatização.”

Nas considerações finais, Áreas explicou também a política do Partido para as eleições. O PCO não apresenta o voto como solução suficiente para os problemas da classe trabalhadora, mas utiliza a campanha eleitoral para divulgar seu programa e defender a mobilização popular.

“O PCO não entra nas eleições para dizer para o povo que simplesmente o voto vai resolver, vai mudar a vida da população. Nós chamamos o povo a se mobilizar. A gente acha que só mobilização, de fato, com o povo nas ruas, levantando suas reivindicações, uma política direta do povo, pode resolver o problema do povo.”

Ao encerrar, resumiu o objetivo da candidatura: “Nós temos um programa político para isso, e é para isso que a gente está aqui, para divulgar esse programa, que é um programa socialista e revolucionário.”

Depois da entrevista, a emissora informou que a Justiça Eleitoral havia negado os pedidos de registro das candidaturas apresentadas pelo PCO em Minas Gerais. A assessoria de Henrique Áreas informou que o Partido recorre da decisão e prestará os esclarecimentos solicitados. Até o julgamento definitivo do recurso, seu nome permanece no sistema da Justiça Eleitoral.

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