Eleições 2026

Haverá o quarto mandato de Lula?

Articulista pinta um cenário imaginário para as próximas eleições, vê tudo melhorando enquanto a base política de Lula desmorona.

Lula carnavalesco

Não dá para mirar no futuro sem prestar atenção no que está acontecendo hoje. No artigo Brasil 2026, de autoria de Emir Sader e publicado no Brasil 247 nesta sexta-feira (13), em cujo olho se lê que “eleições de 2026 podem consolidar a liderança de Lula e redesenhar o cenário político nacional com vantagem para as forças progressistas”, o articulista ignora o que vem acontecendo no caso do Banco Master, que envolve o STF, e também o caso do INSS, ambos nas mãos de André Mendonça, um ministro de confiança de Bolsonaro, duas bombas que podem explodir no colo de Lula e melar as eleições para o petista.

Sader tenta se agarrar nas considerações de que “as pesquisas são muito precárias, por se aterem a uma amostra de não mais do que 200 mil pessoas. Para um universo de 220 milhões de pessoas, convenhamos que não há amostra que possa captar uma totalidade muitíssimo maior e de uma complexidade muito grande. Além disso, as pesquisas nunca revelam como foram formuladas as questões colocadas para os entrevistados. Assim, elas se prestam a todo tipo de especulação da mídia”.

O que as pesquisas apontam, ou deixam de apontar, sempre foram, ou deveriam ser, vistas com reserva pela esquerda. É preciso tirar delas apenas aquilo que interessa, pois a manipulação é evidente e beneficia inevitavelmente a direita.

Para o articulista, “o certo é que, diante da candidatura de um filho do Bolsonaro – que já havia desmaiado e se sujado em um debate com a Jandira Feghali –, os debates entre Lula e ele se projetam como um massacre contra o candidato da direita”. Mesmo assim, não adianta tentar falar daquilo que aconteceu há anos. Flávio Bolsonaro pode simplesmente não comparece a debates enquanto a grande imprensa trata de massacrar Lula. Na hipótese de que o presidente tente a reeleição e se confirme a candidatura bolsonarista.

Emir Sader, de qualquer modo, sem o querer, projeta que o bolsonarismo tem um candidato forte que pode enfrentar o atual presidente.

Nem Lula, nem Bolsonaro

Já ficou claro que a burguesia não quer Lula nem Bolsonaro no próximo mandato, mas o fato é que o filho mais velho de Jair Bolsonaro tem sido bastante agressivo ao se vender como uma pessoa de fácil trato com o “mercado”. Em outra ocasião, o grande capital não hesitou em colocar Lula na cadeia e encarar um candidato que, apesar de ser difícil de domar, não conseguiu governar.

Enquanto jornais como o Estadão afirmam que o Brasil ficará pior se Lula vender, Sader acha que ante o bolsonarista pode apresentar “resultados altamente favoráveis”, pois tem mais experiência e discurso muito articulado e convincente. E que “assim, a campanha eleitoral tende a fortalecer o favoritismo de Lula, que pode, assim, triunfar no primeiro turno. A mais importante é, ao mesmo tempo, a mais previsível”.

Ignorando a realidade e o fato de mal ter conseguido governar, Sader afirma que “Apesar de Lula estar realizando um mandato muito bom — talvez o seu melhor governo, mesmo sem maioria no Congresso —, as eleições parlamentares têm grande importância. Dificilmente o novo Congresso terá uma composição tão ruim como a atual, que foi eleita em uma conjuntura política muito distinta da atual. Resta saber a composição real que ele vai ter”.

O que se avizinha é exatamente o contrário, é mais provável que o bolsonarismo faça a farra nessas eleições.

Um dos problemas desses setores da esquerda é olharem para realidade. Inventam um mundo cor-de-rosa de pleno emprego quando mais de 50 milhões de brasileiros dependem diretamente do Bolsa Família, e outros tantos desistiram de procurar emprego.

Conchavos

Outro fator preocupante, mas que o articulista comemora, é que, “já no mandato atual, Lula tem conseguido receber apoio ou acenos de apoio até mesmo de setores significativos do União Brasil, o que tem ampliado a capacidade de alianças do governo”. A base de Lula, que deveria ser a classe trabalhadora, nunca é citada, sempre se fala de acordos com a direita, a que se costuma chamar de “Centrão”.

O articulista diz, para justificar seu otimismo, é a “provável diminuição de votos do PSOL, pela ausência da candidatura de Boulos, o grande puxador de votos do partido, o que deve favorecer também o aumento de votos do PT”.

Não se sabe de onde Sader tira essa conclusão, mas afirma que “as eleições para governadores também devem ser menos desfavoráveis ao governo do que as anteriores, especialmente no Centro-Sul e no Sul, que foram absolutamente favoráveis à direita”. No Paraná, por exemplo, pesquisas apontam que Sérgio Moro, pode vener no primeiro turno.

Segundo escreve, “pelo menos no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, as forças progressistas podem voltar a ganhar, no Rio com muita certeza. Quem sabe ainda em Minas Gerais, além da provável reiteração de vitórias em todo o Nordeste”. Resta saber quem são as tais “forças progressistas”, pois no Rio de Janeiro o PT tem apoiado até um Eduardo Paes, do PSD. De modo que progressista é um termo muito amplo.

Otimismo

Esbanjando otimismo, Sader diz que “2026 também é um ano em que o governo Lula conseguirá dar continuidade às políticas sociais, mais ainda do que em seus governos anteriores, ainda sem maioria no Congresso”. Em que o articulista apoia essa afirmação? Qual seria a mágica? Lula ficou completamente amarrado neste mandato, tem feito inúmeras concessões à direita, como no caso da Venezuela, e nada indica, que se for eleito, poderá fazer um bom mandato.

É estranho, está tudo desmoronando ao lado do governo. O STF se tornou uma grande vidraça, o que já era de se esperar, mas que a esquerda pequeno-burguesa se negou a enxergar.

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