O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) emitiu nesta semana um chamado à mobilização mundial contra os crimes bárbaros do Estado sionista de “Israel”, que continuam sendo perpetrados contra a população palestina na Faixa de Gaza, em especial na região de Rafá. A convocação foi feita após uma nova onda de massacres cometidos por Israel contra civis, com destaque para o ataque deliberado a tendas de deslocados em Khan Iunis, que vitimou sete membros de uma mesma família — incluindo seis crianças.
Em nota oficial publicada no sábado (31), o Hamas denunciou o bombardeio como “uma escalada perigosa e uma sabotagem deliberada do acordo de cessar-fogo”. O comunicado prossegue afirmando que as ações do Estado de “Israel” representam uma “violação flagrante” do pacto firmado há quase quatro meses, e expõem o “desprezo da ocupação fascista” pelos esforços dos mediadores internacionais e dos países garantidores do acordo.
“As violações contínuas e o ataque a cidadãos, famílias e crianças nas tendas de deslocamento confirmam a persistência do governo de ocupação fascista na guerra de extermínio brutal contra Gaza”, afirmou o grupo.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, respondeu às alegações israelenses de que os bombardeios seriam uma resposta a supostas violações do cessar-fogo por parte da resistência. Segundo ele, essas declarações não passam de “uma justificativa exposta e desesperada para os massacres horríveis contra civis”.
“Essas alegações infundadas confirmam o desdém da ocupação criminosa pelos mediadores, pelos países garantidores e por todas as partes envolvidas no chamado ‘Conselho de Paz’”, declarou Qassem. Ele ainda instou a Organização das Nações Unidas (ONU) e a comunidade internacional a se manifestarem com clareza e urgência contra os massacres e a tomarem medidas concretas para deter os responsáveis.
As denúncias do Hamas foram acompanhadas por uma nota contundente do Comitê de Acompanhamento das Forças Nacionais e Islâmicas, que relatou uma série de ataques brutais iniciados logo após o anúncio da formação do Comitê Nacional para a Administração da Faixa de Gaza. Segundo o órgão, desde então, “Israel” cometeu “massacres sistemáticos” com o claro objetivo de sabotar os esforços de reconstrução e governabilidade local.
Os dados são alarmantes: 71 mártires e 140 feridos, a maioria em estado grave. Entre os alvos dos 96 bombardeios registrados, estão residências, centros de acolhimento e instalações civis. Ao todo, 17 edifícios residenciais foram destruídos com moradores dentro, além de ataques ininterruptos à chamada “Zona Amarela” — área que Israel se comprometeu a deixar, mas não se retirou.
“Essa grave escalada é uma tentativa clara de criar obstáculos diante de qualquer esforço voltado a aliviar o sofrimento de nosso povo e a pôr fim à catástrofe humanitária deixada pela guerra genocida”, afirmou o Comitê.
O órgão também responsabilizou diretamente os Estados Unidos, os mediadores e a comunidade internacional por não conterem a agressão sionista. Ressaltou que o governo de “Israel” é a única parte que insiste em descumprir o cessar-fogo, demonstrando que “não permitirá que o comitê administrativo exerça seu papel e suas atribuições”.
Outro ponto de tensão denunciado pelo Hamas e por outras organizações da resistência é a situação da Passagem de Rafá. Após quase dois anos de fechamento total imposto por “Israel”, a fronteira começou a ser parcialmente reaberta “em caráter experimental” no dia 1º de fevereiro, sob forte vigilância de delegações da União Europeia e autoridades egípcias. Entretanto, segundo a COGAT (órgão militar israelense), a liberação será limitada a 150 saídas e 50 entradas diárias, gerando protestos e atritos diplomáticos, especialmente com o Egito.
Enquanto isso, do lado palestino, o novo comitê administrativo informou que a passagem deveria funcionar “em ambos os sentidos” a partir do dia 2. Contudo, persistem denúncias de que a ocupação está usando o controle da fronteira para exercer chantagem e terror psicológico contra os civis que tentam retornar a Gaza, incluindo interrogatórios humilhantes e ameaças contra mulheres e crianças.
“Os maus-tratos aos que retornam pela passagem de Rafá são um crime fascista. Exigimos que instituições de direitos humanos documentem esses crimes”, afirmou o Hamas em novo comunicado divulgado no dia 3 de fevereiro.
Além disso, mesmo com o avanço das negociações para a segunda fase do acordo, “Israel” continua limitando a entrada de ajuda humanitária, combustível e gás, agravando ainda mais a situação dramática das centenas de milhares de palestinos deslocados que vivem em tendas precárias, sob frio extremo e sem acesso a serviços e mantimentos básicos.
Diante desse cenário de massacre contínuo, violação de acordos e silêncio da comunidade internacional, o Hamas lançou um apelo global por uma “mobilização crescente” nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, convocando as “consciências vivas” e os “povos livres do mundo” a se manifestarem nas ruas, praças e capitais internacionais contra o genocídio em curso.
“Conclamamos à ação urgente com todas as formas de marchas de solidariedade e protestos nas capitais e praças do mundo. Que os próximos dias sejam de movimento global crescente pela abertura das passagens, reconstrução de Gaza e fim da agressão”, disse o comunicado oficial, publicado também em línguas como russo, turco e indonésio.
O apelo global busca pressionar o Estado sionista e seus aliados imperialistas a pôr fim imediato aos bombardeios e garantir os direitos do povo palestino, hoje submetido a uma das maiores catástrofes humanitárias do século. A mobilização também tem como objetivo denunciar a cumplicidade internacional com o regime genocida de “Israel” e reforçar a solidariedade ativa com a luta de libertação nacional da Palestina.
As atividades previstas incluem marchas, piquetes, atos de rua e vigílias em frente a embaixadas e consulados israelenses, assim como ações coordenadas com movimentos de trabalhadores, estudantes, religiosos e organizações de direitos humanos. A convocatória insiste que as manifestações devem escancarar o apartheid e os crimes de guerra cometidos por “Israel” contra civis indefesos, particularmente crianças, mulheres e idosos.
O movimento Hamas também destacou que a adesão à luta palestina não é apenas um dever moral e humanitário, mas uma exigência política de todos os que se opõem ao colonialismo, ao fascismo e à opressão global dos povos. Nesse sentido, o apelo ecoa outras mobilizações históricas que exigiram o fim do regime de apartheid na África do Sul, ou o encerramento das guerras do imperialismo norte-americano no Vietnã e no Iraque.
A mobilização convocada pelo Hamas se insere em um momento crítico da luta de libertação nacional palestina. Com Gaza devastada, cercada e bombardeada diariamente, e a Cisjordânia submetida a ocupação militar e repressão brutal, a chamada à solidariedade internacional torna-se mais urgente do que nunca.
A resistência palestina segue firme em sua defesa da soberania nacional e da autodeterminação de seu povo. Ao mesmo tempo, cresce no mundo inteiro o repúdio ao genocídio sionista e à cumplicidade criminosa das potências capitalistas que sustentam “Israel” — um regime de apartheid cuja existência depende do massacre sistemático dos palestinos.





