Na edição deste sábado (18) do programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV (COTV), Rui Costa Pimenta, pré-candidato à presidência da República pelo Partido da Causa Operária (PCO), afirmou que o governo Lula se envolveu cada vez mais com uma política autoritária, criticou a escalada da censura no País e analisou tanto a situação internacional quanto a crise social e econômica brasileira. Ao longo da exposição, Pimenta relacionou a ofensiva contra os direitos democráticos, a política do PT, a situação no Oriente Médio e o debate eleitoral de 2026 como partes de um mesmo problema político.
Logo na abertura do programa, o presidente do PCO comentou o caso da jornalista Madeleine Lacsko, intimada pela Advocacia-Geral da União (AGU) a retirar uma publicação crítica a um projeto de lei defendido pela deputada Erika Hilton. Para ele, o episódio representa um salto na política de censura, na medida em que um órgão do próprio Estado passa a intervir diretamente para obrigar a retirada de uma opinião sobre um tema político.
“Você tem um órgão governamental que decide aquilo que é verdadeiro e aquilo que não é verdadeiro. Isso não pode ser, não existe isso. Não existe critério. A verdade depende muito das interpretações. Se você tem um Ministério da Verdade, o que você tem é uma censura brutal”, declarou.
Segundo Pimenta, o problema não se limita à direita. Ele afirmou que a própria esquerda vem sendo atingida por esse método, citando os inquéritos e processos movidos contra pessoas que defendem a Palestina e o fim do Estado de “Israel”. Ainda de acordo com ele, a adoção do princípio da censura abre caminho para uma expansão sem freios da perseguição política.
Na sequência, Rui Costa Pimenta voltou ao caso do professor Alisson Mascaro, que classificou como uma vítima de uma campanha de linchamento político e moral dentro da universidade. Segundo ele, a operação montada contra Mascaro terminou por provocar sua exoneração da USP, embora, segundo o próprio professor, não tenha sido demonstrada com clareza nenhuma das acusações apresentadas contra ele.
“O que ele me contou foi o seguinte: ele perdeu o emprego dele na USP. Esse foi o resultado da campanha que foi travada contra ele. E, como não conseguiram fundamentar as acusações para demiti-lo, arrumaram uma questão burocrática, uma technicalidade, e demitiram ele por isso. Quer dizer, era uma execução, não um julgamento.”
Pimenta também comentou a anulação do julgamento do médico Ric Jones, condenado anteriormente e mantido preso por quase um ano. Ele afirmou que o caso demonstra como o Judiciário funciona como uma máquina de esmagamento contra o cidadão comum, mesmo quando se trata de um profissional de prestígio social. Para ele, a decisão de anular o júri confirmou que o médico não teve direito pleno de defesa.
“O tribunal constatou que ele não teve direito à defesa. Quer dizer, o julgamento dele foi uma farsa. Só que ele ficou quase um ano na cadeia. E esse ano que ele passou na prisão, quem vai devolver? Agora ele vai ser submetido de novo a julgamento, sob ameaça de ser preso outra vez.”
No terreno internacional, Rui Costa Pimenta afirmou que o impasse nas negociações envolvendo o Irã não altera sua avaliação de que houve uma vitória iraniana diante do imperialismo. Segundo ele, o fato de os Estados Unidos terem sido forçados a sentar à mesa e o fechamento do estreito de Ormuz como instrumento de pressão em favor de um cessar-fogo no Líbano demonstram a força de Teerã. Ele acrescentou que o Hesbolá impôs danos às forças sionistas e que o governo libanês atuou, em vários momentos, como obstáculo às tratativas.
Para o presidente do PCO, a situação segue aberta porque o imperialismo não quer aparecer como derrotado, ainda que não tenha obtido êxito militar. Nesse mesmo bloco, ele analisou a eleição na Hungria e disse que a vitória do candidato apoiado pela União Europeia foi apresentada de maneira fraudulenta pela esquerda brasileira como uma “vitória da democracia”, quando, em sua avaliação, se tratou de uma vitória da ala mais diretamente vinculada ao imperialismo europeu.
Pimenta também denunciou o encontro chamado “antifascista” realizado na Espanha, com o patrocínio de governos como o de Lula e o do primeiro-ministro espanhol. Segundo ele, o evento reuniu governos imperialistas comprometidos com a guerra, o genocídio em Gaza e a repressão aos defensores da Palestina, o que demonstraria o uso completamente fraudulento da palavra “antifascismo” por setores da burguesia e da esquerda oficial.
Outro ponto de destaque foi o seminário promovido pelo Itamaraty com entidades sionistas. Rui Costa Pimenta afirmou que a iniciativa expôs a incompatibilidade entre a política do governo do PT e uma luta consequente em defesa da Palestina. Ele avaliou que o seminário serviu para sustentar a campanha de censura contra os que denunciam o Estado de “Israel”.
Ao comentar as entrevistas recentes concedidas por Lula a TV 247, DCM e Revista Fórum, Pimenta afirmou que o problema central da política petista é não tocar nas questões estruturais do País. Segundo ele, trata-se de uma administração voltada a aliviar sintomas sociais sem alterar o rumo de decadência econômica, marcado pela desindustrialização, pelo peso crescente do agronegócio e pela manutenção de uma enorme massa da população na miséria ou no subemprego.
“É uma política que não transforma a realidade. Não é uma cura. É uma espécie de anestésico para aliviar a dor. Você não corrige o problema de fundo, você apenas mitiga o sofrimento. E, enquanto isso, o País vai andando para trás.”
Nessa mesma análise, ele disse que a permanência de milhões de brasileiros dependentes do Bolsa Família, mais de duas décadas depois da criação do programa, mostra que o problema social brasileiro continua intacto. Para Pimenta, o governo não oferece nenhuma saída real para arrancar a população da miséria e se limita a administrar a crise dentro das regras impostas pela própria burguesia.
Rui Costa Pimenta afirmou ainda que o governo Lula foi “extremamente autoritário” e associou esse traço à política internacional do imperialismo, que procura conter a desagregação de seus regimes por meio de censura, repressão e fortalecimento do aparato estatal. Ele citou as penas aplicadas aos envolvidos no 8 de Janeiro, a ação do STF e a pressão por novas leis de censura como exemplos dessa evolução.
“Em nome da luta contra o fascismo, o que nós temos aqui é um show de autoritarismo, de política antidemocrática. E o problema é que, se o PT continuar governando dentro dessa linha, esse autoritarismo tende a ser aprofundado.”
Já na parte final do programa, Pimenta criticou a posição de Lula a favor da proibição das bets, classificando-a como expressão de um moralismo conservador de tutela sobre o povo. Para ele, não cabe ao Estado decidir pela população o que ela pode ou não fazer com sua própria vida, desde que não haja agressão a terceiros. Na mesma linha, denunciou a operação articulada pela Anvisa e pelos órgãos policiais contra pessoas que compram no Paraguai medicamentos para emagrecimento mais baratos do que os vendidos no Brasil pelo laboratório monopolista.
Segundo ele, a ofensiva policial não se explica por preocupação sanitária, mas pela defesa do lucro de uma empresa que vende o remédio por preços proibitivos no mercado nacional. Pimenta afirmou que o Estado foi colocado diretamente a serviço desse monopólio, sacrificando milhares de pessoas que dependem do medicamento para tratar obesidade e diabetes.
“O aparato de Estado foi colocado totalmente a serviço de um monopólio. Uma empresa ganha bilhões com esse remédio e colocou todo o Estado brasileiro a serviço de preservar esses bilhões às custas das pessoas que têm necessidade do tratamento.”
Ao encerrar o programa, Rui Costa Pimenta anunciou que, na edição do sábado seguinte, trataria de maneira mais detalhada da política eleitoral do PCO e das diferenças entre a posição do partido e a do restante da esquerda, tanto em relação ao PT quanto aos demais agrupamentos que lançaram pré-candidaturas para 2026.




