Polícia

Governo do RJ exonera comandante da chacina dos 122 mortos

Marcelo de Castro Corbage saiu do Batalhão de Operações Policiais Especiais sem explicação pública; outro oficial já foi nomeado

O governo do Rio de Janeiro publicou a demissão do coronel Marcelo de Castro Corbage do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais na quarta-feira (24), com validade desde quinta-feira (18). Ele comandava a tropa na Operação Contenção, ação policial que assassinou 122 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025.

O ato saiu no Diário Oficial do Estado e o governo não apresentou motivo para a exoneração. A publicação informa apenas que Corbage deixou o cargo em comissão de comandante do Bope, unidade vinculada ao Comando de Operações Especiais da Polícia Militar. A Secretaria de Estado de Polícia Militar não esclareceu se a decisão tem relação com a operação que se tornou uma das mais letais da história recente do Rio.

A corporação confirmou que o tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro foi nomeado para assumir o comando da unidade. A escolha foi registrada em publicação interna no dia 17 de junho. 

A Operação Contenção foi realizada em 28 de outubro de 2025, com participação de policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. O governo estadual afirmou que a ação tinha como objetivo prender lideranças do Comando Vermelho. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, chamado de Doca ou Urso, não foi preso e conseguiu escapar, segundo as polícias.

O balanço oficial apontou 122 mortos, sendo cinco policiais. O governo tentou sustentar que os demais 117 eram criminosos. Após a operação, sete presos apontados como lideranças da organização criminosa no Rio foram transferidos para presídios federais por determinação da Justiça. O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal citou ainda apreensão de 122 armas, 15 veículos, 22 quilos de cocaína e duas toneladas de maconha.

A troca no comando do Bope ocorre em meio a investigações sobre a operação, o número de mortos e o uso de câmeras corporais, pressionadas pela comoção popular contra a brutalidade das polícias. Em depoimento ao Ministério Público do Rio, Corbage afirmou que 77 dos 215 policiais do Bope que participaram da ação usaram os equipamentos.

O problema do uso de câmeras nos uniformes, no entanto, é uma discussão vazia, não coíbe a truculência das polícias, que são treinadas pelo Estado para esmagar a população pobre.

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