O governo iraniano denunciou o YouTube pelo banimento do canal Explosive Media, conhecido por publicar animações em estilo Lego satirizando os Estados Unidos, “Israel” e a guerra contra o Irã. A suspensão foi anunciada pelo grupo na sexta-feira, sob a alegação de “conteúdo violento”, poucas horas depois de um de seus vídeos sobre Donald Trump e os arquivos Epstein alcançar milhões de visualizações nas redes.
A crítica oficial foi feita pelo porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, que afirmou haver motivação política na decisão da plataforma. Em mensagem publicada no X, ele contrastou a presença de grandes estúdios de animação norte-americanos com o fechamento de um canal independente que havia conquistado grande audiência ao denunciar a agressão dos Estados Unidos contra o Irã.
“Em uma terra que abriga orgulhosamente a Pixar, a DreamWorks Animation e a Walt Disney Company, um canal independente de animação no YouTube — que havia crescido organicamente ao retratar a agressão e o militarismo dos EUA, e reunido milhões de espectadores — foi abruptamente fechado. Por quê?”, indagou Baghaei.
Em seguida, o porta-voz afirmou que a medida teve um objetivo preciso:
“Simplesmente para esconder a verdade sobre a sua ‘guerra ilegal’ contra o Irã e proteger a falsa versão dos fatos apresentada pelo governo norte-americano contra qualquer voz divergente.”
O Explosive Media havia chamado atenção internacional por publicar vídeos curtos, feitos com animação estilizada, nos quais o Irã aparece enfrentando a ofensiva dos Estados Unidos e de “Israel”. O eixo central dessas produções é a denúncia do imperialismo norte-americano e a defesa da resposta iraniana à agressão iniciada em 28 de fevereiro de 2026.
Em um dos vídeos mais comentados, Trump aparece caindo em meio a documentos ligados ao caso Epstein, enquanto a letra de um rap afirma que “os segredos estão vazando” e que “a pressão está aumentando”. Em outro, George Floyd surge sob o joelho de um policial, enquanto a narração afirma que o Irã está de pé por todos aqueles que foram esmagados pelo sistema norte-americano. Há ainda animações mostrando a captura de um piloto de caça dos Estados Unidos após a derrubada de sua aeronave.
Os vídeos do grupo somaram centenas de milhões de visualizações ao longo da guerra dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. As produções, surgidas no início de 2025, ampliaram seu alcance à medida que o conflito avançou. Também se tornaram mais detalhadas, passando a retratar locais específicos da região do Golfo, como aeroportos, usinas e instalações industriais, atingidos por mísseis iranianos.
Outro elemento destacado é a rapidez de produção. Os vídeos costumavam ser publicados pouco depois dos principais acontecimentos da guerra, acompanhando quase em tempo real os desdobramentos militares e políticos do conflito. Mesmo após o banimento no YouTube, o conteúdo do grupo continuou circulando em outras plataformas, como TikTok, Instagram e X.
Os criadores do Explosive Media negam ligação oficial com o governo iraniano. Ainda assim, o caso chamou atenção porque suas produções demonstram grande familiaridade com a cultura popular e a linguagem da Internet nos Estados Unidos, o que ajudou a ampliar seu alcance entre o público norte-americano.




