São Paulo

Gás usado em treinamento da PM atinge escola e alunos passam mal

Cinco adolescentes de 12 a 16 anos foram atendidos; atividade da Força Tática foi interrompida e procedimento administrativo foi aberto

A Polícia Militar liberou gás durante treinamento em um batalhão na zona sul de São Paulo, na quinta-feira (25), e ao menos cinco adolescentes precisaram de atendimento médico após inalar a substância. Os estudantes, de 12 a 16 anos, são alunos da Escola Estadual Luiz Gonzaga Pinto e Silva, situada perto de uma companhia da Força Tática, na rua Geraldo Fraga de Oliveira, no Jardim São Luís.

O episódio ocorreu à tarde e mobilizou o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e policiais militares. As vítimas foram encaminhadas para unidades de saúde na região do Capão Redondo. A Secretaria da Educação afirmou que a equipe gestora interrompeu temporariamente as atividades da escola, adotou medidas de segurança e acionou o Samu.

A Polícia Militar informou que o treinamento das equipes da Força Tática era realizado em área previamente destinada a esse tipo de instrução, alegando que o erro não partiu da corporação, mas da própria administração, que não teria estudado impacto dos treinamentos na área. Segundo a polícia, assim que a situação foi identificada, a atividade foi imediatamente interrompida e as equipes prestaram atendimento às pessoas que apresentaram desconforto. A PM também afirmou que os estudantes foram levados para avaliação médica e passam bem.

A corporação disse ter aberto procedimento administrativo para apurar todas as circunstâncias. A investigação interna deve verificar como o gás saiu da área de treinamento e atingiu o entorno, afetando adolescentes dentro ou perto do ambiente escolar, mas dificilmente deve responsabilizar a administração pela falta de estudo de impacto para treinamentos na área. O caso levanta questionamentos à polícia sobre planejamento, controle de risco e distância entre atividades policiais com munição química e locais frequentados por crianças e jovens.

Oficiais de alta patente ouvidos afirmaram que treinamentos com munição química devem ocorrer em ambiente controlado, sem exposição de terceiros e com medidas para reduzir riscos aos próprios policiais. A observação reforça que a proximidade da escola com a companhia da Força Tática exigia cuidado adicional. 

A Secretaria da Educação lamentou o ocorrido e informou que os cinco estudantes seguem estáveis. Mesmo sem registro de gravidade, a contaminação de uma escola por gás de treinamento policial representa um episódio de risco evitável.

A principal questão é determinar se houve falha de procedimento, escolha inadequada de local, ausência de comunicação preventiva ou erro no manuseio do material. Para a comunidade escolar, o episódio deixou a demonstração concreta de que treinamentos desse tipo, quando próximos da população, sem espaço de segurança entre o lugar de treino e áreas civis, podem ultrapassar os muros e atingir até mesmo adolescentes em horário de aula.

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