Os servidores do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro iniciaram greve na segunda-feira (6), após deliberação aprovada em Assembleia Extraordinária realizada em 30 de março. A paralisação foi anunciada pelo Sindicato dos Funcionários do Detran-RJ, o SINDetran, que informou ter recorrido a todas as tentativas de diálogo antes de decidir pela interrupção das atividades. Segundo a entidade, a greve busca garantir o cumprimento de direitos previstos em decisão judicial ligada ao dissídio coletivo da categoria e denunciar a postura da gestão do órgão diante de reivindicações que, segundo os servidores, afetam diretamente as condições de trabalho e a qualidade do serviço prestado à população.
A votação da assembleia mostrou ampla adesão à proposta. De acordo com o sindicato, 87,6% dos filiados presentes votaram pela greve. A data formal de início havia sido fixada em 2 de abril, mas como houve ponto facultativo nesse dia e feriado em 3 de abril, os efeitos concretos começaram a aparecer apenas a partir de 6 de abril. O sindicato afirmou que essa organização buscou assegurar a devida informação à sociedade e às autoridades, além de dar visibilidade à decisão coletiva da categoria.
No centro da mobilização está a cobrança pela efetivação de determinações judiciais relacionadas ao Dissídio Coletivo de Greve nº 0046204-34.2022.8.19.0000. Segundo o SINDetran, o acordo firmado naquele processo prevê medidas ligadas aos direitos dos servidores e às condições de trabalho nas unidades do Detran-RJ. A categoria sustenta que tentou por longo período obter o cumprimento dessas garantias por meio de negociação, sem sucesso. O sindicato afirma que a gestão atual não apresentou alternativa efetiva, levando os trabalhadores à paralisação.
A greve também está associada à luta pelo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, o PCCS, reivindicação histórica dos servidores. A falta de valorização funcional, a ausência de estrutura compatível com a carga de trabalho e a permanência de pendências judiciais compõem o pano de fundo do movimento. Em órgãos como o Detran, em que o atendimento direto ao público é cotidiano e envolve emissão de documentos, vistorias, registros de veículos, habilitação e uma série de procedimentos administrativos, a precarização das condições de trabalho recai tanto sobre os servidores quanto sobre a população usuária.
A mobilização dos servidores do Detran-RJ se soma a uma série de greves e protestos do funcionalismo em diferentes estados, num cenário de arrocho, reestruturações administrativas e compressão de direitos. No caso fluminense, o sindicato já anunciou que divulgará os próximos passos do movimento.





