Em evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro da Defesa, José Múcio, declarou que, caso o Brasil fosse agredido militarmente pelos Estados Unidos da América (EUA), o que se haveria de fazer era “abrir o portão”.
Não é necessário ir muito longe na história recente de nosso país para constatar que Múcio não quer abrir o portão, ele já o abriu. Empossado para comandar o Ministério da Defesa do Brasil no dia primeiro de janeiro de 2023, este era o nosso ministro que permitiu que os golpistas de 8 de janeiro atacassem a sede dos Três Poderes da República. O que é mais impressionante é que um ministro da Defesa que permite, de maneira tão fácil, que forças políticas alinhadas fundamentalmente ao imperialismo norte-americano atuem continue no cargo, mesmo diante do abismal fracasso comprovado de forma prática.
O atual ministro da Defesa é incapaz de defender o nosso país, de dar coesão às Forças Armadas para defenderem a legalidade e a soberania nacional, de possuir autoridade política e militar para desmantelar uma tentativa de golpe orquestrada com o imperialismo, porque, afinal, como bem disse, é necessário “abrir o portão” e deixar que os norte-americanos façam o que bem queiram com o nosso país.
Quando os golpistas estavam acampados pedindo o golpe contra o governo do presidente Lula, foi José Múcio que se dirigiu à imprensa falando que aquilo se tratava de ações “democráticas”. Logo depois, foi comprovado o intuito de assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Suprema Corte Alexandre de Moraes. Para ele, isso seria “democrático”.
O ministro Múcio foi um dos principais articuladores para amenizar as punições aos militares golpistas, operando contra a própria orientação do governo federal e a legalidade constitucional.
José Múcio entra em rota de colisão a todo momento com a linha política adotada pelo comandante em chefe das Forças Armadas, que é o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Quem é que não lembra da reclamação pública de Múcio pelos entraves nas negociações de armamentos com o Estado genocida de Israel, mesmo em meio a denúncias abertas do presidente Lula contra o genocídio do povo palestino?
O que esperavam também de um ministro que foi da Arena, o partido político da ditadura militar?
Múcio expressa a mentalidade que existe no alto comando das Forças Armadas. Essas pessoas não são brasileiras, elas são norte-americanas, traidoras da pátria e merecem ser tratadas como tais.
O Brasil não pode tolerar tamanha humilhação de ter um ministro da Defesa domesticado pelos interesses norte-americanos, ainda mais em um momento em que estamos enfrentando de forma aberta as investidas políticas, econômicas, diplomáticas e comerciais dos EUA contra o povo brasileiro.
Múcio já se provou um completo capacho do imperialismo dos EUA. Já comprovou de que lado ele está. E isso ocorreu poucos dias após o início do terceiro governo Lula.
Um ministro da Defesa que não consegue desconstituir uma ação golpista não nos serve para nada. Um ministro da Defesa que não coloca na ordem do dia a reforma das Forças Armadas e a necessidade de uma união cívico-militar não nos serve. Um ministro da Defesa que desautoriza e desmoraliza em público o seu comandante, que foi eleito pela maioria do povo brasileiro, não pode permanecer no governo.





