Nessa terça-feira (4), houve mais uma rodada de negociações — já perdemos a conta de quantas mesas ocorreram desde o início das tratativas — entre os banqueiros (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários. Nessa última mesa, mais uma vez, os bancos não apresentaram nenhuma proposta em relação às pautas apresentadas pelos bancários.
Repetindo a mesma ladainha da Campanha Salarial passada, justificam-se com o argumento de que não apresentam sequer uma proposta por causa da “concorrência” com instituições financeiras não bancárias. Um verdadeiro papo furado: somente os mais incautos acreditam nessa conversa fiada.
Para se ter uma ideia de até que ponto esses parasitas da economia nacional e mundial, os banqueiros, estão dispostos a transformar, a cada dia, os trabalhadores em escravos, a rejeição dos banqueiros recai sobre uma pauta de reivindicações extremamente rebaixada — defendida e aprovada pela burocracia sindical que dirige os maiores e mais importantes sindicatos dos bancários em âmbito nacional, na Conferência e nos Congressos da categoria —, que propõe apenas reajustar os salários pelo INPC (5%), acrescido de 5% de “ganho real”.
Nesse ponto, cabe uma observação: depois de defender e aprovar essa pauta rebaixada na Conferência e nos Congressos dos bancários, a burocracia agora admite que, “desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego” (site SP Bancários, 4/8/2026).
Mas agora, José, “Inês é morta”!
A Corrente Nacional Sindical Causa Operária — Bancários em Luta defendeu, entre as pautas econômicas, desde os primeiros momentos da organização das reivindicações, a reposição das perdas salariais (27%) e a reivindicação histórica do movimento operário de 20% de ganho real.
Seguindo o mesmo roteiro da Campanha Salarial passada, os banqueiros recusam-se a apresentar propostas, alegando uma suposta “competitividade” no setor, em razão da qual estariam perdendo economicamente. Esse é o tradicional golpe dos banqueiros: primeiro, não apresentam nada; em seguida, apresentam uma proposta extremamente rebaixada, como ocorreu na Campanha Salarial passada, de INPC mais 5% de “ganho real”. Como todos sabem, isso não representa sequer a reposição da inflação — não a oficial, completamente manipulada pelo governo, mas a verdadeira inflação, que morde ferozmente o bolso do trabalhador no supermercado, nas tarifas públicas, na moradia, no transporte etc.
Mas os “pobrezinhos” dos banqueiros estão chorando de barriga cheia. Segundo informações do Relatório de Economia Bancária de 2025, do Banco Central, os bancos no Brasil bateram um novo recorde de lucro. Os cinco maiores bancos brasileiros obtiveram lucro líquido de R$ 124 bilhões e, somente no primeiro trimestre deste ano, já lucraram cerca de R$ 30 bilhões.
Os lucros dos banqueiros, comparados aos índices da campanha salarial dos bancários, mostram que a pauta de reivindicações econômicas defendida pelas direções sindicais e rejeitada pelos banqueiros é uma verdadeira esmola diante dos superlucros dos patrões.
Diante da crise que atinge a categoria bancária, com demissões em massa, arrocho salarial, terceirização, assédio moral para o cumprimento de metas etc., é necessário derrotar os banqueiros, conquistar a reposição integral das perdas salariais e um verdadeiro aumento real, além de lutar por um piso salarial que atenda às necessidades de uma família de trabalhadores bancários e que não poderia ser inferior a R$ 8 mil.
Uma questão central para que os bancários tenham a possibilidade de conquistar vitórias é a necessária unificação da categoria em um amplo processo de mobilização, que se expresse em um verdadeiro programa de luta.





