O artista plástico, arquiteto, ilustrador e cartunista português João Abel Manta morreu na sexta-feira (15), em sua casa, em Lisboa, aos 98 anos. A informação foi confirmada por uma fonte da família ao jornal português Expresso.
Manta publicou regularmente trabalhos sobre a situação política e social de Portugal em jornais portugueses nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril de 1974. Entre suas obras mais conhecidas está o cartaz O Povo está com o Movimento das Forças Armadas, produzido no período da Revolução dos Cravos.
João Abel Manta era filho dos pintores Abel Manta e Clementina Carneiro de Moura. Durante a infância e a juventude, conviveu, na casa da família, com intelectuais como Aquilino Ribeiro e viajou por países como Inglaterra, França e Itália.
Formado em arquitetura, participou, ao lado de Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, do projeto do Conjunto Habitacional da Avenida Infante Santo, em Lisboa, distinguido com o Prêmio Municipal de Arquitetura em 1957. Também participou do projeto da sede da Associação Acadêmica de Coimbra, construída entre 1955 e 1959.
O presidente da República de Portugal lamentou a morte de Manta em nota oficial. No comunicado, afirmou que o artista marcou a vida portuguesa nos anos anteriores e posteriores à Revolução dos Cravos e destacou sua produção no cartum político desde os anos 1940.
A ministra da Cultura portuguesa também enviou condolências à família. Em nota, destacou a atuação de João Abel Manta como cartunista e ilustrador antes e depois do 25 de Abril.
Além do desenho e do cartum político, Manta trabalhou com pintura, ilustração, artes gráficas, cerâmica, tapeçaria e mosaico. Ilustrou livros como A Cartilha do Marialva, de José Cardoso Pires, produziu cartazes e selos, e foi autor das tapeçarias do Salão Nobre da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Também assinou cenários de teatro, entre eles os de A Relíquia, de Eça de Queiroz, e O Processo, de Franz Kafka. Em Lisboa, realizou ainda o pavimento da Praça dos Restauradores e um painel de azulejos na Avenida Calouste Gulbenkian.
Após o 25 de Abril e o Processo Revolucionário em Curso, Manta passou a viver em Londres, depois do 25 de Novembro de 1975. Na capital britânica, continuou a produzir desenhos, ilustrações e pinturas.
Mais tarde, voltou a Portugal, onde continuou a trabalhar e a expor. Em 1978, depois do período em Londres, publicou Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar, uma de suas principais obras editoriais.
Após a morte de seu pai, em 1982, afastou-se do cartum e passou a dedicar-se principalmente à pintura. Em 1992, uma exposição retrospectiva no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, voltou a apresentar sua produção gráfica.
As cerimônias fúnebres foram reservadas à família. A cremação ocorreu na manhã de domingo, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, entre 11h30 e 12h45.



