Cisjordânia

Exército sionista obriga palestino a demolir sua própria casa

Autoridades de ocupação emitiram ordem de demolição em Beit Hanina, em al-Quds ocupada, sob o pretexto de “construção sem licença”

As forças de ocupação de “Israel” obrigaram um palestino a demolir a própria casa no sábado (14), na Rua al-Zaytouna, na localidade de Beit Hanina, ao norte da Palestina ocupada, segundo a agência palestina WAFA. A medida foi executada após as autoridades de ocupação emitirem ordem de demolição sob o pretexto de “construção sem licença”, informou o Governo de al-Quds.

De acordo com o Governo de al-Quds, a residência, de 35 metros quadrados, existia havia oito anos e era composta por um quarto, uma cozinha e um banheiro. O imóvel abrigava Rami e sua esposa recém-casada. A política de “auto-demolições” impostas pela ocupação tem se repetido em al-Quds ocupada: moradores palestinos são coagidos a desmontar suas próprias casas sob ameaça de multas pesadas e cobrança dos custos da demolição caso resistam.

Além da ofensiva contra residências, também foi registrado aumento das agressões contra a produção agrícola palestina. O Ministério da Agricultura da Palestina informou que os prejuízos no setor na Cisjordânia ocupada superaram US$761 mil. Segundo o órgão, entre 5 e 11 de fevereiro foram documentados o arrancamento e a destruição de 777 árvores em diferentes regiões, em ataques conduzidos por forças de ocupação e colonos.

Em relatório, o ministério apontou uma escalada de violações contra o setor agrícola em governadorias da Cisjordânia, com demolição e destruição de estruturas de produção, sabotagem de fontes de água e ataques contra árvores frutíferas. Colonos atingem plantações e propriedades e impedem trabalhadores rurais de acessar suas terras.

Números divulgados pela Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos indicam que forças de ocupação e colonos realizaram 1.872 ataques em janeiro. Do total, 1.404 teriam sido conduzidos pelo exército de ocupação e 468 por colonos. As ocorrências se concentraram principalmente na governadoria de al-Khalil (415), seguida por Ramala e al-Bireh (374), Nablus (328) e al-Quds (201), atingindo áreas residenciais, terras agrícolas e infraestrutura local.

Ainda nesta semana, outro mecanismo foi registrado para bloquear a atividade agrícola. O jornal israelense Haaretz informou que soldados receberam instruções para impedir agricultores palestinos de arar suas terras na Cisjordânia, após reclamações de colonos. De acordo com o jornal, em regiões como Jabal al-Khalil, tropas têm sido mobilizadas repetidamente, sobretudo no início do inverno, para interromper tarefas agrícolas básicas. O Haaretz descreveu a expressão “interrupção da aração” como missão operacional reconhecida.

Para impor as restrições, militares têm emitido ordens que classificam áreas como “zonas militares fechadas”, barrando o cultivo. Em alguns casos, foram usados métodos de dispersão contra palestinos que tentavam trabalhar, e agricultores chegaram a ser presos por horas enquanto buscavam arar o solo.

A aração no começo do inverno é etapa essencial para preparar a terra para o plantio da primavera. O atraso pode reduzir colheitas e, ao longo do tempo, contribuir para a perda de terras palestinas, já que áreas não trabalhadas são tratadas como “abandonadas” e se tornam alvo de apropriação pela ocupação. Colonos também atuam diretamente para impedir o trabalho agrícola, com registros de ataques em áreas do sudeste de Beit Lahm, na região de Ramala e no norte da Cisjordânia, com feridos, prisões e novas interrupções, muitas vezes com apoio militar.

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