Volodimir Zelenski afirmou que os Estados Unidos haviam voltado a fornecer à Ucrânia informações usadas para detectar ataques russos. Marco Rubio deu outra versão em 19/10: segundo o secretário de Estado norte-americano, o compartilhamento jamais parou. Nenhum dos dois apresentou, nas declarações divulgadas, dados técnicos que resolvam a contradição.
A discussão tem consequências militares. Kiev usa informações fornecidas por Washington por meio do Starshield, serviço de satélites voltado a aplicações militares, para identificar mísseis balísticos. Autoridades ucranianas disseram que alguns ataques ocorreram sem aviso. Zelenski declarou que o acesso havia sido desbloqueado e agradeceu por sua retomada; Rubio respondeu que não existiu pausa.
O secretário de Estado deu a declaração durante uma visita ao Usbequistão. Procurou conduzir a conversa para as negociações destinadas a encerrar a guerra. O governo de Donald Trump suspendeu temporariamente algumas sanções sobre o diesel russo, medida criticada por Zelenski. Trump defendeu a decisão dizendo que não queria afastar Moscou da mesa de negociações e acusou o presidente ucraniano de resistir ao fim do conflito.
Enquanto os dois governos discutem publicamente se houve uma interrupção, ambos reconhecem a importância do serviço. A defesa ucraniana depende de informações obtidas e transmitidas pelos EUA. Isso dá a Washington um instrumento de pressão sobre Kiev, independentemente da versão que prevaleça sobre os dias anteriores.
A fala de Rubio confirma a continuidade do apoio militar norte-americano segundo o próprio governo dos EUA. A declaração de Zelenski mostra que o acesso a esse apoio tornou-se um ponto sensível nas relações entre os aliados, justamente quando Trump negocia com a Rússia.



