Austrália, Inglaterra e Estados Unidos anunciaram, no sábado (30), o lançamento do primeiro projeto conjunto de desenvolvimento de armas dentro do chamado segundo pilar da aliança militar AUKUS. A iniciativa prevê a criação de sensores e sistemas de armas para veículos submarinos não tripulados.
O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa britânico, John Healey, à margem do fórum de segurança Diálogo Shangri-La, realizado em Singapura. Segundo Healey, os três países vão desenvolver tecnologias destinadas a detectar e combater ameaças contra estruturas submarinas consideradas estratégicas, como cabos de comunicação e gasodutos.
A Inglaterra destinou 150 milhões de libras, cerca de US$200 milhões, ao projeto. A iniciativa é a primeira grande medida formalmente lançada no chamado Pilar 2 da AUKUS, que trata do desenvolvimento conjunto de tecnologias militares avançadas.
A aliança AUKUS foi anunciada em 2021, reunindo Estados Unidos, Inglaterra e Austrália em uma articulação militar voltada principalmente para a região do Indo-Pacífico. O primeiro pilar do acordo prevê o fornecimento à Austrália de submarinos movidos a propulsão nuclear, com tecnologia norte-americana e britânica.
O segundo pilar amplia a cooperação militar para áreas como robótica submarina, inteligência artificial, tecnologias quânticas, guerra cibernética, guerra eletrônica, armas hipersônicas e sistemas de defesa contra esse tipo de armamento.
Embora os três países apresentem o projeto como uma medida para proteger infraestrutura submarina, a AUKUS é parte da ofensiva dos Estados Unidos para reforçar sua presença militar na Ásia-Pacífico e cercar a China. A aliança busca integrar Austrália e Inglaterra aos planos militares norte-americanos na região.
A China condenou repetidas vezes o acordo. Pequim afirma que a transferência de tecnologias militares sensíveis e a ampliação da infraestrutura militar imperialista na região aumentam o risco de confronto e prejudicam a estabilidade regional.
A Rússia também criticou a expansão da AUKUS. O secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, afirmou recentemente que a aliança pode abrir caminho para a instalação de ativos nucleares norte-americanos na Austrália. Ele também chamou atenção para a crescente integração militar envolvendo Japão e Coreia do Sul.
Moscou avalia que a ampliação dos acordos militares conduzidos pelos Estados Unidos na região pode acelerar uma nova corrida armamentista. A preocupação aumenta diante da incorporação de tecnologias avançadas e plataformas com capacidade nuclear às estruturas militares dos aliados de Washington.





