Forças dos Estados Unidos atacaram neste sábado (5) um petroleiro iraniano nas proximidades da ilha de Kharg, no Golfo. Segundo a agência iraniana Tasnim, a embarcação estava a cerca de seis milhas da ilha quando foi atingida por quatro mísseis norte-americanos.
Fontes locais informaram à agência que não houve vítimas. A tripulação continuava trabalhando na retirada da carga, enquanto equipes iranianas avaliavam os danos causados pelo ataque. Posteriormente, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) reconheceu a operação, mas afirmou ter atingido três petroleiros iranianos, dois dos quais teriam sido inutilizados e um destruído.
Washington apresentou o ataque como uma resposta aos disparos de mísseis balísticos iranianos contra dois navios de guerra norte-americanos no Golfo. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã havia anunciado horas antes que sua Força Aeroespacial atingira um porta-aviões e um contratorpedeiro dos Estados Unidos que, segundo Teerã, participavam do bloqueio naval e hostilizavam embarcações iranianas.
De acordo com a Guarda Revolucionária, os dois navios foram danificados e obrigados a deixar a região diante da possibilidade de novos ataques. O comando iraniano também afirmou que responderá com maior intensidade caso Washington continue atacando navios comerciais e tentando impor o bloqueio às exportações de petróleo.
A agressão contra navios iranianos amplia a guerra no Golfo, enquanto Teerã promete responder a novos ataques e mantém o controle do Estreito de Ormuz. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os bombardeios contra os petroleiros como parte da “guerra econômica” dos Estados Unidos e afirmou que os ataques violam a proibição do uso da força prevista na Carta das Nações Unidas.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
O novo confronto ocorre em meio à tentativa norte-americana de quebrar o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. A agência Fars informou que navios mercantes e petroleiros continuam dependendo da autorização das forças iranianas para atravessar a região.
A informação contradiz as declarações do presidente norte-americano Donald Trump de que os Estados Unidos teriam assumido o controle do estreito. Teerã afirma que a passagem permanece sob sua fiscalização e condiciona uma reabertura completa ao fim da guerra em todas as frentes, à suspensão do bloqueio e ao cumprimento dos compromissos assumidos por Washington em um memorando anterior.
Nesta semana, dois petroleiros pegaram fogo depois de atingirem minas ao tentar atravessar uma rota não autorizada. A Guarda Revolucionária afirmou que as embarcações haviam sido orientadas pelos Estados Unidos a utilizar a passagem, apesar dos avisos iranianos de que a área estava minada.
Segundo o comunicado iraniano, os tripulantes haviam sido retirados algumas horas antes do incidente. A Guarda advertiu ainda que companhias de navegação que aceitarem instruções dos militares norte-americanos e desrespeitarem as rotas autorizadas poderão sofrer novas medidas.
Ataques contra o sul do Irã
A ofensiva contra os petroleiros ocorre depois de uma nova série de bombardeios norte-americanos contra o sul do Irã. Bandar Abbas, ilha de Qeshm, Jask, Minab, Chabahar, Konarak, Lengeh e diferentes pontos da província de Hormozgan foram atingidos.
Um dos ataques atingiu uma casa onde ocorria uma cerimônia de casamento em Sirik. Segundo informações, cinco pessoas foram assassinadas, entre elas uma criança, e cerca de 70 ficaram feridas. Grande parte das vítimas era formada por mulheres e crianças.
O episódio foi citado pela Guarda Revolucionária ao anunciar novas operações contra posições dos Estados Unidos. Mísseis e drones iranianos atingiram instalações militares norte-americanas na Jordânia, no Cuaite, no Barém, em Iraque e nos Emirados Árabes Unidos.
Entre os principais alvos esteve o Camp Titin, base utilizada pelos fuzileiros navais norte-americanos na Jordânia, próxima ao Mar Vermelho e à fronteira com a Arábia Saudita. A Fars informou que Washington havia transferido secretamente soldados e equipamentos para o local na tentativa de afastá-los do alcance dos ataques iranianos.
A Guarda Revolucionária afirmou que mísseis balísticos destruíram instalações e helicópteros de ataque na base e causaram baixas entre os militares norte-americanos, sem informar números. Para Teerã, o ataque demonstrou que os deslocamentos das forças dos Estados Unidos pela região estão sendo acompanhados pelos serviços de inteligência iranianos.
O Estado-Maior Khatam al-Anbiya advertiu que novos ataques contra o território iraniano, seus petroleiros ou suas rotas comerciais serão respondidos com operações ainda maiores contra navios de guerra dos Estados Unidos. O governo iraniano insiste que não pretende ampliar a guerra, mas afirma que continuará atingindo as forças norte-americanas enquanto Washington mantiver os bombardeios e o bloqueio naval.





