A severa crise do capitalismo atinge igualmente o setor agroindustrial. Nos Estados Unidos, o aumento recorde de preços da carne e a escassez de gado levou a que o governo Trump, em novembro passado, ordenar ao Departamento de Justiça que investigasse o processamento de carne bovina em meio às altas recorde de preços.
Todd Blanche, que assumiu a chefia do Departamento de Justiça após Trump demitir o primeiro Procurador Geral, afirma que estão agindo o mais rápido possível.
No mês passado, o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal para apurar como é feita a compra de gado pelos quatro maiores frigoríficos do país, JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef.
A JBS é uma empresa brasileira que opera pesadamente nos EUA e possui cerca de 70 mil empregados. A National Beef é uma empresa norte-americana, mas controlada pela brasileira MBRF (Global Foods), formada pela Marfrig e BRF, possuidoras das marcas Sadia e Perdigão.
Peter Navarro, o Conselheiro Sênior de Comércio e Manufatura dos EUA, e arquiteto da guerra tarifária de Trump, afirmou que a prioridade econômica da Casa Branca é o combate à inflação, especialmente da carne bovina. E ainda que o nível de concentração de 85% sugere um conluio e critica a influência estrangeira na cadeia de suprimentos.
A Secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse que em 1977 a concentração do mercado era de 25% e hoje as quatro gigantes possuem 70 empresas subsidiárias e isso reduz o poder de negociação dos pecuaristas para vender seus animais.
A atual chefe do Departamento de Justiça disse que está tornando efetiva a ordem de Trump de interromper a formação de cartéis na cadeia de suprimentos de alimentos. Afirmou também que revisou inúmeros documentos e entrevistou centenas de produtores e pecuaristas e isso resultou em um acordo que será divulgado neste fim de semana. Isso afeta diretamente os preços de proteínas como carne suína, frango e peru
Blanche ressaltou que metade dessas empresas gigantes, incluindo a National Beef e JBS, são de propriedade brasileira e essa dependência externa é uma ameaça não só aos produtores, mas à segurança nacional.
O setor frigorífico tornou-se um vilão conveniente para Donald Trump em 2025/2026 por ser uma forma de combater a inflação dos alimentos, culpando grandes corporações, as quatro grandes, por fixarem preços altos. É uma oportunidade para que Trump recupere sua imagem de “defensor dos esquecidos”, investigando empresas como a JBS por “conluio ilícito” e manipulação de mercado.
Lembremos que a Lava Jato tinha como um de seus objetivos sabotar a indústria brasileira e que chegou a acontecer a Operação Carne Fraca, focada em atingir a produção bovina brasileira.
Essa operação, iniciada pela Polícia Federal em março de 2017, foi uma grande investigação sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e grandes frigoríficos no Brasil.
A operação revelou a comercialização de carne estragada, adulterada e falsificação de documentos sanitários, afetando a credibilidade da carne brasileira no mercado internacional.
Diante dessa situação, seria conveniente para o Brasil aproveitar esse bloqueio de importação de carne brasileira e fortalecer o mercado interno com preços acessíveis, aproveitando o protecionismo norte-americano para vender para outros mercados.
Diante de possíveis bloqueios, tarifas adicionais (como as relatadas em 2025/2026, que chegaram a 50% ou taxas combinadas de até 76,4%) ou suspensões de importação de carne bovina pelos Estados Unidos, o governo brasileiro, em conjunto com o setor privado, adota medidas diplomáticas, técnicas e comerciais para contornar a situação.
Esses acontecimentos mostram que essa história de livre concorrência, não passa de farsa. No mundo, o que prevalece é a lei do mais forte. Não é de hoje que os Estados Unidos jogam sujo para destruir a indústria brasileira. Apesar desse país proteger o próprio mercado, acusa os outros de estarem trapaceando.



