Conforme o editorial do Estadão, A IA a serviço dos criminosos, publicado nesta terça-feira (5), “uma reportagem recente do Estadão mostrou como o uso das ferramentas de inteligência artificial (IA) potencializa os ganhos dos criminosos ao mesmo tempo em que desafia o poder público e as instituições financeiras no Brasil”.
É verdade também que os celulares, os computadores, automóveis, por exemplo, também potencializam os ganhos dos criminosos. Por outro lado, o maior desafio do poder público é se proteger dos piores criminosos: as instituições financeiras, que mordem mais da metade do orçamento público.
Essas financistas controlam o Banco Central, políticos e diversas instituições, como demonstra o caso do Banco Master. De modo que são criminosos que estão acima das leis.
O jornal diz adiante que “segundo dados da Polícia Federal (PF), 42,5% das fraudes financeiras aplicadas no ano passado envolveram alguma ferramenta de IA; o uso de vídeos e áudios falsos, os chamados deepfakes, registrou uma alta de 830%, de 2024 para 2025; e o País é um dos maiores produtores no mundo de programas que roubam dados bancários, os chamados malwares”.
A verdade é que os golpes nunca necessitaram de ferramentas de inteligência artificial para serem realizados. A condenação à usura, o empréstimo a juros, é antiga e já aparecia tanto no Velho Testamento quanto no Alcorão. Ainda que algumas diferenças. Na Bíblia era proibida entre irmãos, mas permitida com estrangeiros, enquanto no Alcorão a proibição é absoluta.
Tecnologia do mal
O editorial conta que “os crimes digitais acendem um alerta: com a popularização dos serviços financeiros nos smartphones, os bandidos deslocaram o velho estelionato das praças para o mundo virtual. Hoje, eles dão golpes por meio de SMS, aplicativos de mensagens ou e-mails e por ligações telefônicas”, mas tudo isso já acontecia antes do advento das IAs.
“O ritmo dos ataques preocupa”, diz o jornal, que traz ainda que, “segundo a Serasa Experian, há uma tentativa de fraude digital a cada 2,2 segundos. O resultado disso tudo é a eficiência da bandidagem, de um lado, e o prejuízo dos correntistas, fintechs e bancos, de outro. Segundo dados da Aliança de Combate às Fraudes Bancárias Digitais, que reúne a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), as perdas com fraudes digitais chegaram a R$ 52 bilhões em 2024.”
Esses números não assustam. Esses R$ 52 bilhões que os golpistas levaram um ano para desviar, os bancos tomam do Estado em duas semanas a título apenas do pagamento dos juros da dívida. Um golpe muito bem dado, pois a dívida nunca é auditada (o ‘mercado’ não deixa), e os banqueiros ainda controlam os juros, que está na casa dos 15%. Uma verdadeira festa.
Enquanto isso, conforme o “Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), ‘a IA é a forma mais barata e mais fácil de se aplicar golpe com muitas pessoas’. Como se vê, é uma atividade de alto retorno e baixo risco para o mundo do crime”. Mas não se compara aos bancos, que a cada dia usam mais tecnologia, o que barateia as operações, mas continuam cobrando taxas abusivas de seus clientes.
E a IA com isso?
No antepenúltimo parágrafo, o editorial dá conta de que “bancos e fintechs já enviam alertas aos clientes para que não repassem dados, como senhas, a estranhos. Pode parecer pouco, mas não é: saber que o risco existe é uma forma de evitar as perdas, tendo em mente que a dica mais valiosa é sempre desconfiar de tudo e de todos”. Porém, essas recomendações existem há décadas, nunca houve necessidade inteligência artificial. O que nos faz pensar qual é a intenção mascarada no editorial.
A primeira má-intenção é demonizar as inteligências artificiais. De uns tempos para cá, conforme o imperialismo aumenta seu controle sobre a vida das pessoas e vem impondo censura, são publicados inúmeros artigos alertando sobre o “perigo das IAs”, especialmente no que concerne às crianças.
Leis estão sendo criadas para impedir o acesso à internet, usam todo tipo de desculpas, que as crianças ficam burras, ou têm acesso à pornografia, ou são “adultizadas”, sujeitas a abusos, fake news, etc.
Ninguém deve acreditar que quem patrocina o genocídio de crianças em Gaza esteja muito preocupado com a infância. O que se quer é restringir ao máximo o uso de tecnologias porque as redes sociais são um meio muito democrático de informação. Graças a esses meios, as pessoas ao redor do mundo podem tomar ciência do que está acontecendo na Palestina, no Líbano, no Irã. Ficam a par dos bloqueios econômicos criminosos que matam mais que as guerras e isso prejudica o imperialismo.
O olho do Estado
Após instigar o medo nos leitores, o Estadão diz que, “para o bem dos cidadãos”, e para “vencer essa guerra. Acertadamente, a PF criou a Plataforma Tentáculos, uma ferramenta de inteligência e de base de dados nacional, na qual centraliza, investiga e combate fraudes bancárias eletrônicas em cooperação com polícias Brasil afora e com as instituições financeiras”. Eis aí o perigo. O Estado vai poder bisbilhotar ainda mais a vida das pessoas.
Segundo o jornal, “a PF agora adota a tática dos bandidos [qual a novidade?] contra eles mesmos: articulada com o setor privado e outras corporações na troca de informações, a corporação federal recorre à IA para traçar modelos que possam antecipar as ações dos criminosos e enfrentá-los”.
A coisa começa assim: para o bem geral. Quando as pessoas abrirem os olhos, estarão sendo vigiadas dentro de seus próprios celulares e criando provas contra si mesmas. Quem garante que vão se restringir as “ações de criminosos”? No Brasil, qualquer palavra fora do lugar pode ser considerada crime.
O que o Estadão pretende com esse tipo de editorial é criar as condições para que, com base no medo, as pessoas achem que é melhor mesmo que a polícia vigie todo cidadão, e em nome do bem invada a privacidade de cada indivíduo.





