Aviões de guerra dos Estados Unidos bombardearam embarcações do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) no sul do Irã, na segunda-feira (25), em mais uma violação do cessar-fogo firmado entre os dois países em 8 de abril. A ação ocorreu nas proximidades da ilha de Larak, no trecho mais estreito de Ormuz, e deixou ao menos três marinheiros iranianos assassinados, de acordo com a SNN.
Explosões também foram registradas em Bandar Abbas, cidade portuária iraniana que abriga uma base naval. A região permanece sob tensão desde que o Irã fechou a passagem a embarcações de países inimigos, em resposta aos bombardeios norte-americanos e israelenses de 28 de fevereiro.
O ataque ocorreu no mesmo dia em que negociadores dos Estados Unidos e do Irã chegaram ao Catar para tentar avançar nas negociações. Segundo informações divulgadas pela imprensa persa, os dois países discutem um possível entendimento temporário sobre o fim da guerra, possivelmente envolvendo o Estreito de Ormuz, a venda de petróleo e sanções contra a República Islâmica.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou a agressão e alegou que as forças norte-americanas realizaram “ataques de autodefesa no sul do Irã hoje para proteger nossas tropas de ameaças representadas por forças iranianas”. O comunicado afirmou que os alvos incluíam locais de lançamento de mísseis e “barcos iranianos tentando instalar minas”.
O capitão Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, repetiu a versão ao responder a um pedido da agência russa RIA Novosti. Apesar do ataque, o militar afirmou que os Estados Unidos não consideram encerrada a trégua.
A versão norte-americana foi usada para justificar uma nova agressão contra o território iraniano. Antes disso, os militares dos Estados Unidos já haviam ameaçado intervir contra ações iranianas no Estreito de Ormuz.
A jornalista Jennifer Griffin, da Fox News, também informou, citando o Centcom, que dois barcos do CGRI e uma posição de sistema antiaéreo foram destruídos. A agência Reuters havia noticiado explosões em Bandar Abbas na noite anterior, sem apontar a causa.
Após o bombardeio, o jornalista Ali Hashem, da Al Jazeera, citou uma autoridade iraniana segundo a qual o CGRI atingiu uma embarcação não identificada depois que aviões dos Estados Unidos atacaram os barcos iranianos. A mesma fonte informou que tiros foram ouvidos nas proximidades de Bandar Abbas.
Na terça-feira (26), o CGRI anunciou que suas unidades de defesa aérea interceptaram uma série de violações militares dos Estados Unidos na região do Golfo. A corporação informou que derrubou um VANT MQ-9 e abriu fogo contra uma aeronave de reconhecimento RQ-4 e um caça F-35, obrigando ambos a deixar imediatamente o espaço aéreo iraniano.
Em comunicado, o CGRI afirmou que a operação foi realizada em defesa da soberania e do espaço aéreo nacional do Irã, diante da “aventura contínua e da conduta agressiva” dos militares norte-americanos na região. A corporação destacou que a resposta ocorreu após monitoramento preciso de suas unidades de defesa aérea.
O CGRI também advertiu o comando militar dos Estados Unidos contra novas violações do cessar-fogo e afirmou que a retaliação recíproca é um direito legítimo e inevitável.
As forças iranianas já haviam anunciado, na segunda-feira, a derrubada de um VANT hostil sobre o Golfo com o novo sistema de defesa aérea Arash. Autoridades iranianas afirmaram que a ação enviou um sinal claro de que nenhum VANT furtivo consegue penetrar o céu do Golfo, reafirmando a soberania iraniana sobre a região.
O brigadeiro-general Mohammad Hadi Sefidchian, comandante do quartel-general das Forças Terrestres do CGRI na província de Hormozgan, afirmou que a segurança do Golfo é uma linha vermelha. Segundo ele, as forças iranianas mantêm vigilância integral sobre os movimentos inimigos e têm capacidade para responder de maneira decisiva em qualquer nível necessário.
O comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, major-general Ali Abdollahi, afirmou no domingo (24) que as capacidades militares do Irã nos setores naval, aéreo e de mísseis permanecem plenamente intactas, apesar das afirmações inimigas em sentido contrário. Ele também anunciou que novos sistemas de defesa aérea serão apresentados em breve.
O major-general Mohsen Rezaei, membro do Conselho de Discernimento do Irã, afirmou que o confronto ocorre simultaneamente nos terrenos militar e diplomático. “Nossos combatentes hoje estão com as mãos no gatilho, enquanto, ao mesmo tempo, nossos negociadores continuam seus esforços para restaurar os direitos do povo iraniano”, disse. Segundo Rezaei, os Estados Unidos estão em declínio na região após a chamada Guerra do Ramadã.




