Chanceleres de Mali, Níger e Burkina Faso realizaram uma reunião ministerial, em Bamako, no sábado (20), para coordenar posições comuns. O encontro no Mali tratou de segurança, relações exteriores, resposta a ataques armados e preparação conjunta para fóruns internacionais. A sessão foi precedida por reuniões técnicas nos dias 17 e 18 de junho e integrou a execução da folha de rota do segundo ano da Confederação dos Estados do Sael.
Os ministros de Relações Exteriores da Confederação dos Estados do Sael (AES) avaliaram medidas para consolidar uma atuação coordenada entre os três países. A reunião foi presidida por Karamoko Jean Marie Traoré, ministro das Relações Exteriores de Burkina Faso. A delegação do Mali foi conduzida por Abdoulaye Diop, ministro das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional, enquanto a do Níger foi chefiada por Bakary Yaou Sangaré, ministro das Relações Exteriores, Cooperação e Nigerinos no Exterior.
O objetivo formal foi construir uma abordagem comum para o pilar diplomático da folha de rota da confederação. Na prática, a discussão diplomática aparece ligada diretamente à cooperação de segurança. Os três países buscam falar com uma só voz em organismos internacionais, ampliar suas parcerias externas e responder de forma coordenada a ações de grupos armados que atuam na região.
Os chanceleres avaliaram a agenda diplomática, identificaram medidas para proteger a segurança comum e discutiram formas de ampliar a influência regional e internacional do bloco. O ministro nigerino Bakary Yaou Sangaré saudou avanços na segurança, associados à força militar conjunta criada. Essa força reforça o caráter defensivo da confederação em meio à ruptura dos três países com estruturas regionais e potências estrangeiras que historicamente tiveram influência no Sael.
A reunião também analisou o esboço de um mapa diplomático unificado. A proposta busca coordenar a presença externa dos três países e criar mecanismos integrados de representação. Isso permitiria maior cobertura internacional sem subordinar cada governo a estruturas separadas e vulneráveis a pressões externas. Os ministros instruíram altos funcionários a prosseguir os estudos sobre essa rede diplomática confederada.
Outro ponto foi a preparação conjunta para a 81ª sessão ordinária da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para setembro de 2026, em Nova Iorque. A AES pretende chegar ao debate com posições harmonizadas, especialmente sobre segurança, soberania, milícias armadas e campanhas estrangeiras contra seus governos.
Os ministros condenaram ataques recentes contra Mali e Níger. No caso do Mali, repudiaram as ações de 25 de abril, perpetradas por uma coalizão mercenária com apoio de patrocinadores estatais estrangeiros. No Níger, denunciaram a tentativa de incursão contra o Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamei, ocorrida em 18 de junho. O bloco associou essas ações a tentativas de frear a consolidação da confederação.
A AES também criticou campanhas de desinformação e manipulação promovidas por potências estrangeiras e seus veículos de comunicação. Os ministros defenderam o reforço da coordenação entre órgãos de comunicação dos três países, em uma estratégia que une defesa militar, diplomacia e disputa pública. O encontro reforçou, assim, a formação de um polo regional que procura afirmar soberania política, cooperação militar e unidade diplomática diante das pressões externas.





