O artigo O governo deve retomar a ofensiva contra o centrão e a extrema direita, publicado no sítio Esquerda Online nesta segunda-feira (4), escancara aquilo que este Diário vem denunciando há tempos: a “luta” contra a extrema direita nada mais é que a senha para a defesa da democracia liberal.
Logo no início, o texto diz que “a última semana foi marcada por dois importantes reveses para o governo Lula, para a democracia e para as forças populares no Brasil. Na quarta-feira (29/04), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF. Foi a primeira vez, desde 1894, em que os senadores rejeitaram uma indicação do presidente da República a uma vaga no Supremo”.
Como se vê, o Esquerda Online é um defensor da democracia, bem como com o funcionamento das instituições do Estado burguês, como o STF.
E ainda tem mais, o grupo diz que “no dia seguinte, o Congresso derrubou o veto presidencial ao PL da dosimetria, possibilitando a redução das penas de Bolsonaro e dos demais condenados pela trama golpista, além de diversos outros criminosos comuns. Na prática, a derrubada do veto pelo Congresso significou a anistia aos golpistas, ainda que parcial, contra a vontade da maioria do povo brasileiro”.
Além de sustentar a ideia absurda do golpe com batom, o Esquerda Online está preocupado com a redução de penas de presos comuns, o mesmo discurso da direita e também da extrema direita, que finge combater.
Segundo o artigo, “em ambos os casos, a direita tradicional – o Centrão – se aliou ao bolsonarismo, com o objetivo de desgastar o governo Lula, mirando a disputa eleitoral em outubro.” Na verdade, foi uma união com o Supremo e com Jacques Wagner, senador sionista do PT. O texto denuncia que essa “aliança é a convergência em torno a um projeto político: atacar o regime democrático por dentro, desmontar o Estado brasileiro, retirar direitos dos trabalhadores e colocar o país de joelhos diante de Trump”. Mais uma vez defende a “democracia” brasileira, onde um STF faz o que bem entende, pode até julgar cidadão comuns, sem foro privilegiado, e sentenciar penas duríssimas. E, para surpresa de ninguém, o relator, interrogador, juiz e vítima do processo, são todos a mesma pessoa: o “herói da democracia”, Alexandre de Moraes.
A política do espantalho
O truque dessa esquerda liberal é justificar sua conduta com a suposta luta de um mal maior. Por isso, diz que “o que explica as derrotas da última semana, portanto, são os interesses de classe da direita, extrema-direita e do imperialismo. Tais interesses se expressam na candidatura de Flávio Bolsonaro, que se fortalece diante das derrotas do campo popular na última semana”.
Será que o imperialismo e a extrema brasileira estão jogando o mesmo jogo? Então, quem ordenou a prisão de Jair Bolsonaro? Ou alguém deve acreditar que Moraes, o indicado de Michel Temer, seja mesmo um caçador de fascistas? Por que um jornal burguês repete insistentemente que não se deve votar em Lula, nem em Flávio Bolsonaro? Não existe uma articulação em prol de uma terceira via?
O que esses grupos democratizantes fazem é criar um espantalho para assim defenderem uma política reacionária e de defesa do Estado.
A volta da ‘mulher negra’ do STF
Como já era também esperado, a esquerda pequeno-burguesa, identitária, iria levantar sua principal bandeira, que não é lutar pela classe trabalhadora, mas pela presença de uma mulher negra dentro da mais reacionária das instituições burguesas: o STF.
O artigo diz que “Lula errou ao não abraçar a campanha dos movimentos sociais pela indicação de uma mulher negra e progressista ao STF.” Talvez essa gente sinta saudade de Joaquim Barbosa.
É tão alto o nível de ilusão nas instituições que o Esquerda Online diz que “ao deixar de indicar uma mulher negra progressista ao STF, Lula perdeu a oportunidade de fazer uma luta política, que poderia, mesmo diante de uma derrota no parlamento, posicionar melhor as forças progressistas no embate contra os que tentam sufocar o governo. Se houver nova indicação para a vaga, será importante que Lula corrija o erro e atenda ao clamor dos movimentos sociais por uma mulher negra e progressista no STF”.
É preciso ser muito ingênuo, ou mal-intencionado para vendar a ilusão de uma mulher negra, progressista, vá fazer qualquer coisa de diferente do que já é feito no ultrarreacionário Supremo Tribunal Federal.
Em vez de defender o fim do STF e sua substituição por outras instâncias recursais, o Esquerda Online prega a reforma do mesmo. Prova de que esse grupo não tem nada de revolucionário, é apenas um defensor da democracia, não do socialismo.
A questão de fundo do artigo são as eleições. Esses grupos estão preocupados apenas com isso, o que é bem típico do PSOL.
“Para que possamos vencer”, segue o texto, “é incontornável que o campo popular, liderado pelo presidente Lula, enfrente o bloco neofascista com luta política e ideológica, opondo os interesses da maioria do povo aos interesses dos donos da riqueza”.
O que tem para oferecer para a população um grupo que está preocupado com cargos?
Finalmente, o Esquerda Online, dá uma série de conselhos de como o presidente Lula deve agir para se reeleger. Fala em pacote emergenciais, escala 6×1, e que “para vencer, Lula deve retomar e aprofundar o chamado à luta popular. Este é o apoio decisivo com o qual poderá contar”.
Diz o texto que, o resultado será definido pela luta entre as forças populares e as do atraso. Provavelmente, o Esquerda Online esteja dentre aqueles que acreditam no atraso x “civilizatório”.
De qualquer ângulo que se olhe, a única coisa que se pode enxergar são medidas reformistas, e pró-imperialistas, de uma esquerda cada vez mais identificada com os inimigos do povo: os burgueses.





