Em nove estados brasileiros, o número de famílias que recebem o Bolsa Família é maior do que o de trabalhadores com carteira assinada. Os dados são de fevereiro de 2026 e mostram que a situação continua concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, refletindo a precariedade do mercado de trabalho e a dependência de milhões de pessoas de programas sociais para sobreviver.
Os estados nessa condição são Maranhão, Pará, Piauí, Bahia, Paraíba, Amazonas, Alagoas, Acre e Amapá. Na comparação com fevereiro de 2025, Sergipe, Pernambuco e Ceará deixaram essa lista.
No conjunto do País, o Brasil soma 48,8 milhões de pessoas com emprego formal e 18,8 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Apesar de nove estados ainda apresentarem mais beneficiários do programa do que postos formais de trabalho, o emprego com carteira assinada avançou mais do que o auxílio em todas as unidades da Federação no período de um ano.
Os números foram obtidos a partir do cruzamento de dados do Bolsa Família, compilados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com os registros de emprego formal do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
A relação entre beneficiários do programa e trabalhadores formais caiu ao longo de 2025, mas entrou em estabilidade no começo de 2026. Em fevereiro deste ano, havia 38,6 famílias no Bolsa Família para cada 100 pessoas com carteira assinada. Esse nível se mantém praticamente parado desde agosto de 2025.
O pico dessa dependência foi registrado em janeiro de 2023, primeiro mês do atual governo Lula, quando havia 49,6 cadastros do programa para cada 100 vínculos formais de trabalho.
Segundo os dados apresentados, a redução observada em 2025 ocorreu por dois fatores principais. O primeiro foi o aumento do emprego formal, impulsionado pelo aquecimento da economia. O segundo foi o pente-fino promovido pelo governo federal nos benefícios sociais, inclusive no Bolsa Família. Só em 2025, o programa perdeu 2,1 milhões de famílias após a revisão dos cadastros.
Mesmo com a queda em relação ao pico de 2023, o quadro continua mostrando a profundidade da crise social brasileira. Em parte importante do País, o número de famílias que dependem do principal programa assistencial do governo ainda supera o total de trabalhadores inseridos no emprego formal. O dado expõe, ao mesmo tempo, a fragilidade do mercado de trabalho e o peso da miséria social, sobretudo nas regiões mais pobres do Brasil.



