Oriente Médio

Eleições em ‘Israel’: com Netaniahu ou Eisenkot, continuará o genocídio

Pesquisas de boca de urna apontam disputa apertada entre os dois blocos sionistas, mas nenhum dos principais candidatos defende o fim da ocupação da Palestina

As eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira (27) em “Israel” terminaram sem uma definição clara sobre quem poderá formar o próximo governo, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pelos principais canais de televisão israelenses. A disputa está concentrada entre o atual primeiro-ministro, Benjamin Netaniahu, e o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, apresentado como representante de uma alternativa centrista.

As projeções dos canais 11, 12 e 13 indicam uma disputa equilibrada entre os dois blocos. Em suas atualizações, os canais 11 e 13 apontaram 51 cadeiras para cada lado, enquanto o Canal 12 projetou 52 para o bloco de Netanyahu e 49 para seus adversários. Os partidos árabes aparecem com aproximadamente 18 a 19 representantes. Para controlar o Parlamento, é necessário reunir pelo menos 61 das 120 cadeiras.

Os números são estimativas das pesquisas de boca de urna, não resultados oficiais. A definição do próximo governo dependerá da contagem dos votos e das negociações entre os partidos que conseguirem representação parlamentar.

Independentemente de quem consiga formar o governo, porém, a população palestina não tem motivos para esperar uma alteração fundamental na política do Estado sionista. Netaniahu e Eisenkot representam setores distintos do mesmo regime colonial, cuja política está baseada na ocupação das terras palestinas, na supremacia militar israelense e na negação do direito do povo palestino à autodeterminação.

Netaniahu é o principal responsável político pela ofensiva militar devastadora conduzida contra a Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Seu governo, sustentado por partidos da extrema direita religiosa e nacionalista, promoveu a destruição de cidades palestinas, o deslocamento em massa da população e o aprofundamento da ocupação na Cisjordânia.

A oposição a Netaniahu, entretanto, não representa uma oposição a essa política. Seu principal dirigente, Gadi Eisenkot, construiu toda a sua carreira no aparelho militar israelense. Foi chefe do Estado-Maior entre 2015 e 2019 e integrou o gabinete de guerra do próprio Netaniahu durante a ofensiva contra Gaza.

Eisenkot não é um político pacifista que pretende substituir a política militar por negociações com os palestinos. Pelo contrário, apresenta sua experiência nas Forças Armadas como uma das principais credenciais para governar.

O dirigente do partido Yashar defende a manutenção da superioridade militar israelense, rejeita a criação de um Estado palestino independente e sustenta que o Hamas deve ser destruído militarmente. Durante a campanha, chegou a afirmar que a defesa da solução de dois Estados, depois de outubro de 2023, seria uma ilusão.

Sua divergência com Netaniahu concentra-se principalmente na administração do Estado, nas denúncias de corrupção, no funcionamento das instituições e na condução das operações militares. Não se trata de reconhecer os direitos nacionais dos palestinos, mas de apresentar outra direção política para executar os objetivos estratégicos do sionismo.

Essa posição tem raízes na própria formação do Estado de “Israel”. O regime israelense surgiu em 1948 mediante a expulsão de centenas de milhares de palestinos de suas terras. A política de colonização, ocupação militar e repressão não começou com Netaniahu, nem depende exclusivamente da extrema direita religiosa.

Durante décadas, o Partido Trabalhista israelense, tradicionalmente apresentado como representante da esquerda, participou diretamente da construção e manutenção desse sistema. Foi sob governos trabalhistas que ocorreram importantes guerras de expansão territorial e se desenvolveram políticas de ocupação.

O crescimento da resistência palestina e o aprofundamento das contradições do regime contribuíram para o fortalecimento eleitoral de partidos mais abertamente direitistas. Esses setores passaram a apresentar de maneira cada vez mais explícita uma política de expulsão dos palestinos, expansão dos assentamentos e guerra permanente.

Um elemento importante das pesquisas de boca de urna é a projeção de crescimento da representação parlamentar dos partidos árabes, como a Lista Conjunta e o Ra’am. As estimativas indicam que essas organizações poderão alcançar uma representação expressiva, refletindo também a mobilização dos eleitores palestinos com cidadania israelense contra o governo de Netanyahu.

Mesmo assim, sua participação numa eventual maioria parlamentar enfrenta fortes obstáculos. Eisenkot já declarou que não pretende formar um governo com partidos que não aceitem suas condições, incluindo o reconhecimento do caráter judaico do Estado e o compromisso com a destruição do Hamas.

As eleições revelam, portanto, uma crise política no interior do próprio regime sionista, e não uma disputa entre a continuidade da opressão e a libertação do povo palestino.

Seja qual for a composição do próximo governo, a questão fundamental permanecerá a mesma: o Estado sionista continuará sendo um instrumento de opressão dos palestinos enquanto forem preservadas as bases políticas e militares sobre as quais foi construído.

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