Nos últimos anos, a categoria bancária tem sofrido sucessivas derrotas nas campanhas salariais. Embora os bancários tenham uma enorme disposição de luta, as direções sindicais, principalmente as dos grandes sindicatos, cujo peso nas negociações com a Fenaban é bastante considerável, vêm desenvolvendo uma política que tem sido responsável por esses fracassos.
Para entender melhor esse quadro, é preciso uma breve explicação sobre a corrente política que dirige esses sindicatos e, principalmente, as entidades superestruturais, como as federações regionais e a própria Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).
Estamos falando da corrente “Articulação Sindical”, que tem como principal protagonista a atual presidenta da Contraf, Juvandia Moreira. A Fenaban e as direções dos bancos estatais, tanto estaduais quanto federais, têm usado Juvandia Moreira como a principal interlocutora dessa política derrotista. Não foi por acaso que, no 7º Congresso da Contraf, realizado neste último fim de semana, a pauta principal foi a prorrogação, por mais um ano, da atual diretoria, reconduzindo Juvandia à presidência até o ano de 2027.
Com a “Articulação Sindical”, as mobilizações deram lugar às fracassadas negociações, colocando toda a categoria a reboque dos interesses particulares da burocracia sindical. O enfrentamento com os banqueiros, por meio das grandes greves nacionais, único instrumento de luta capaz de impor as exigências das reivindicações bancárias, foi, cada vez mais, sendo substituído por negociações manobradas.
Aos poucos, a categoria bancária foi sendo desmoralizada por suas “direções”, que, em muitas oportunidades, tentaram fragmentar as lutas com o propósito de enfraquecê-las. A burocracia sindical passou a usar o discurso de um sindicalismo “moderno” e, consequentemente, os bancários foram colocados na condição de simples “parceiros” dos banqueiros.
Como caracteriza a burocracia, “as negociações salariais tradicionais devem ir além e atuar na defesa da transformação social e da defesa da democracia”. Agora cabe a pergunta: que democracia seria essa? A mesma em que os banqueiros, ditos democráticos, nacionais e internacionais, apoiam e financiam o genocídio imperialista de jogar bombas nas cabeças de mulheres e crianças, como está acontecendo, por exemplo, neste exato momento, no Irã e na Palestina?
Que transformação social seria essa, se o governo transfere para os banqueiros nada menos que metade do orçamento público?
É essa submissão das direções sindicais aos banqueiros que tem levado à assinatura de acordos salariais rebaixados ao longo dos últimos anos e contribuído ainda mais para que os bancários amarguem perdas salariais substanciais, demissões em massa e perdas sistemáticas de seus direitos trabalhistas.
Como disse a presidenta da Contraf no 7º Congresso, Juvandia Moreira: “não adianta ter uma campanha salarial vitoriosa se a extrema-direita vencer as eleições presidenciais e ampliar base no Congresso Nacional, o que pode colocar a perder as nossas conquistas”. Essa estratégia de subordinar as necessidades dos trabalhadores ao regime político burguês e às eleições nada mais é do que um caminho de derrotas. Essa mesma política foi defendida pela burocracia nas eleições de 2022 e, de lá para cá, a categoria amargou sucessivas derrotas.
Diante do brutal ataque dos banqueiros às condições de vida dos trabalhadores bancários, o principal obstáculo para uma reação da categoria é a política das direções. Diante desse quadro, a única maneira efetiva de se opor à política dos banqueiros é os trabalhadores tomarem em suas próprias mãos a tarefa de construir uma verdadeira mobilização e organizar uma verdadeira campanha salarial, que já se avizinha.





