Europa

Dia da Vitória: Alemanha proíbe símbolos soviéticos em comemorações

Ditadura alemã vetou bandeiras da União Soviética, fitas de São Jorge, uniformes e marchas militares nos atos de 8 e 9 de maio

A polícia de Berlim proibiu a exibição de símbolos russos e soviéticos durante as comemorações do Dia da Vitória, realizadas nos dias 8 e 9 de maio, em homenagem à derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial. A medida atinge atos previstos próximos aos monumentos soviéticos do Parque Treptower, do Parque Schönholzer Heide e do Tiergarten, na capital alemã.

O decreto das autoridades alemãs proíbe uniformes e insígnias militares soviéticas e russas, fitas de São Jorge, bandeiras da União Soviética, da Rússia, da Bielorrússia e da Chechênia, além de retratos de seus dirigentes. Também foi proibida a execução de marchas militares soviéticas e russas nas comemorações.

Segundo a decisão da polícia, as restrições incluem ainda imagens da Ucrânia “excluindo os territórios ocupados”, ou seja, os territórios que decidiram se juntar à Rússia após o golpe de 2014. A exceção vale apenas para diplomatas e veteranos da Segunda Guerra Mundial.

A proibição ocorre em uma das datas mais importantes para a memória da derrota do nazismo. Os trabalhadores da União Soviética foram os principais responsáveis pela vitória contra a Alemanha nazista e pagaram o maior preço humano da guerra, com dezenas de milhões de mortos entre soldados e civis.

A medida, no entanto, não é nova. Desde o início da guerra na Ucrânia, a polícia de Berlim passou a impedir a exibição de símbolos russos e soviéticos associados ao Dia da Vitória. Restrições semelhantes foram impostas nos dias 8 e 9 de maio de 2023, 2024 e 2025.

No ano passado, a polícia permitiu a marcha do Regimento Imortal, realizada em 9 de maio, na qual participantes carregam retratos de parentes que lutaram ou morreram na Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, proibiu o uso das fitas de São Jorge e dos símbolos “V” e “Z”, associados ao apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Em 2026, Berlim prevê a realização de diversos eventos comemorativos em homenagem ao Dia da Vitória, incluindo uma marcha dedicada à memória dos soldados soviéticos que morreram na Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, os símbolos diretamente ligados à vitória soviética foram proibidos pelas autoridades alemãs.

A Embaixada da Rússia em Berlim reagiu à decisão, classificando as proibições como absurdas e cínicas. Em comunicado, a representação diplomática afirmou que a medida busca impedir que descendentes dos soldados soviéticos celebrem a derrota do nazismo de maneira digna.

“Na verdade, eles visam unicamente restringir o direito dos descendentes dos soldados libertadores soviéticos, bem como dos residentes e visitantes da capital alemã, de comemorar dignamente o próximo aniversário da derrota do nazismo”, afirmou a embaixada.

A representação russa também pediu que a Alemanha revogue imediatamente a proibição dos símbolos ligados à vitória contra o nazismo e reconheça oficialmente os crimes cometidos pelo Terceiro Reich contra os povos da União Soviética.

“Instamos a Alemanha a suspender a proibição de exibição de símbolos da Vitória sobre o Nazismo e a restaurar a justiça histórica, reconhecendo oficialmente os crimes do Terceiro Reich e seus colaboradores durante a Grande Guerra Patriótica de 1941-1945 como genocídio contra os povos da União Soviética”, declarou a embaixada.

O ex-deputado do Parlamento Europeu Gunnar Beck, integrante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), também criticou a decisão. Em entrevista à RT, Beck afirmou que a medida representa discriminação aberta contra a Rússia, pois Berlim não anunciou proibições semelhantes contra representantes ou cidadãos de outros países vencedores da Segunda Guerra Mundial.

“Não há absolutamente nenhuma base para tal discriminação contra a Rússia. Ela ignora o fato de que a Rússia sofreu, de longe, o maior número de baixas em sua guerra contra a Alemanha e deu a maior contribuição individual para a derrota do nazismo”, afirmou Beck.

O ex-parlamentar disse ainda que não há base histórica para separar a vitória contra o nazismo da participação soviética e russa. Para Beck, o governo alemão transforma a data em uma disputa política contra Moscou.

“É indiscutível. É óbvio para qualquer historiador. O governo alemão está obviamente politizando a questão”, afirmou.

A Rússia tem denunciado medidas semelhantes em vários países europeus. O governo russo denuncia o imperialismo de revanchismo histórico e por tentar reescrever a vitória da União Soviética contra o nazismo.

No mês passado, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o imperialismo trata a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial como um acontecimento incômodo.

“O Ocidente parece pensar que a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial foi acidental e inadmissível. Eles pensam que agora é a hora de corrigir esse acidente, ou um erro, como eles veem”, declarou Zakharova.

Moscou também tem denunciado o crescimento de manifestações de exaltação ao nazismo na Europa, especialmente nos países bálticos, onde ocorrem marchas em homenagem a veteranos da Waffen SS, e na Ucrânia, onde o colaborador nazista Stepan Bandera é homenageado pelo Estado. A Organização dos Nacionalistas Ucranianos e o Exército Insurgente Ucraniano, ligados a Bandera, participaram do assassinato de dezenas de milhares de judeus e poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

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