Os funcionários de bancos privados, além de sofrerem todo tipo de arbitrariedade, pressão e arrogância por parte dos gerentes e chefetes puxa-sacos dos banqueiros, convivem com o fantasma das demissões rondando suas cabeças. Essa ameaça constante leva muitos trabalhadores a situações de nervosismo, estresse, neuroses e desespero.
Somente nos últimos dois anos, os bancos privados, em âmbito nacional, reduziram em 91 mil o seu número de funcionários, ou seja, foram jogados na rua cerca de 44% dos 210 mil bancários empregados nesses bancos.
Além dessas demissões, existe a rotatividade, em que se demite um trabalhador e se contrata outro com um salário muito menor.
Bradesco, Itaú/Unibanco e Santander, os três maiores bancos privados do País, demitiram, nos últimos dois anos, 58.600 trabalhadores. Nesses bancos, 80% dos bancários não chegam a permanecer mais de três anos no trabalho.
Os bancários têm recebido esse violento ataque desses banqueiros parasitas, os maiores sugadores da população brasileira, sem nenhuma reação por parte das direções sindicais.
Em matéria veiculada na semana passada no site da Contraf/CUT sobre as demissões em massa e o fechamento de agências do banco Itaú/Unibanco, a burocracia sindical reivindica aos banqueiros “mais proteção diante do fechamento de agências”.
Conforme a nota da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú reuniu-se com a direção do banco nesta quarta-feira (7). Uma das questões da reunião foi a “reivindicação de ampliação da indenização adicional aos trabalhadores desligados em decorrência do fechamento de agências. Segundo o próprio Itaú, 235 agências foram fechadas entre janeiro e outubro de 2026”. A nota informa ainda que “em um ano o banco eliminou mais de 4 mil postos de trabalho, segundo os dados apresentados pela representação dos trabalhadores” (site da Contraf/CUT, 08/10/2026).
Ou seja, em vez de os representantes dos trabalhadores e suas organizações, como é o caso da Contraf, organizarem uma verdadeira luta, mobilizando os trabalhadores não só do banco Itaú, mas de toda a categoria, para barrar as demissões, a burocracia sindical fica de joelhos, implorando aos patrões para que os pobres coitados dos trabalhadores sejam agraciados com um pouco mais de esmola para suportar a agonia do desemprego. Tal atitude faz até os pelegos mais vendidos tirarem o chapéu.
Em setembro passado, a categoria bancária teve a sua Campanha Salarial, e uma das suas reivindicações mais importantes era justamente a estabilidade no emprego, contra as demissões. Em vez disso, nada foi feito pela burocracia, a mesma que fechou um acordo ultrarrebaixado de dois anos, beneficiando, mais uma vez, os banqueiros.
Agora, mal terminada a Campanha Salarial, os banqueiros voltam à ofensiva reacionária de demitir em massa e, para essa burocracia, o que resta ao trabalhador é aceitar a demissão de cabeça baixa.
Em momento algum os patrões, no caso, os banqueiros, setor mais parasitário da economia, abrem mão de atacar os trabalhadores e a população para beneficiar quem quer que seja. São uns vampiros preparados para pular no pescoço do trabalhador e da população e arrancar até a última gota de sangue para garantir seus lucros. É muita ingenuidade ou oportunismo achar que os banqueiros serão benevolentes e darão algo que satisfaça os trabalhadores. Todo mundo sabe que os banqueiros não darão nada, a não ser que haja uma verdadeira mobilização de trabalhadores na rua, paralisando as agências, o setor tecnológico e o sistema financeiro, com ocupações etc. Somente dessa forma os banqueiros irão atender às reivindicações contra as demissões. Apesar da conversa fiada dos pelegos de que as negociações com os banqueiros são pautadas pelo respeito, não há nenhum respeito por parte do banqueiro. Eles não estão nem aí para o trabalhador e suas necessidades. Os banqueiros e seus governos só serão “sensíveis” aos trabalhadores por meio das grandes mobilizações da categoria.





