Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Defender a trabalhadora bancária e preparar para a próxima etapa

Para sustentar esta situação de superexploração, a burguesia utiliza uma impiedosa repressão sobre a mulher trabalhadora

“Para que as mulheres alcancem uma completa igualdade social com os homens, real e efetiva, e não somente nas páginas dos livros de leis mortas, devem alcançar duas condições primárias. Primeiro, a propriedade privada deve ser erradicada e substituída pela propriedade social. Segundo, a atividade das mulheres deve ser integrada à produção social de uma ordem livre de exploração e opressão. Somente a realização destas condições evitará que as mulheres continuem economicamente dependentes dos homens, como esposas e mães de família, ou caiam sob a opressão econômica e a exploração capitalista, como mulheres proletárias que possuem um emprego, como resultado do conflito de classes entre explorador e explorado” (Clara Zetkin, autora da proposta de criação do Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora).

Nas agências e dependências administrativas da categoria bancária, trabalha um expressivo número de mulheres. Estas companheiras, da mesma forma que nas demais categorias, trabalham submetidas às mais degradantes condições (assédio moral e sexual, metas inatingíveis, discriminação etc.) e, muitas vezes, recebem salários menores do que os dos homens.

Esta situação das mulheres é de enorme importância para toda a categoria bancária, assim como o problema da mulher operária é decisivo para a classe trabalhadora em seu conjunto. Sem atrair para a luta as bancárias, é impossível avançar de maneira consistente na luta da categoria por melhores condições de vida e de trabalho, e de toda a classe trabalhadora contra a exploração capitalista.

Diante da crise terminal do capitalismo, a burguesia procura aprofundar a exploração da classe trabalhadora, atacando ferozmente suas conquistas sociais históricas e com particular dureza as mulheres, que compõem sua camada mais oprimida. Ao contrário do que diz a burguesia, que apregoa as supostas “conquistas” da mulher, nunca, como agora, a opressão e a exploração da mulher foram tão intensas. De um lado, desenvolveu-se uma feroz exploração econômica: demissões em massa, baixos salários, condições extremamente insalubres e perigosas de trabalho. Mesmo tendo jornada de trabalho de 6 horas diárias garantida por lei, estão submetidas frequentemente a longas jornadas. Em nenhum setor há creches, assistência médica específica à mulher ou quaisquer condições que visem facilitar a maternidade.

É essa mesma crise que transforma a mulher cada vez mais em mercadoria, em objeto de consumo, por meio da pornografia, da prostituição e da degradação moral. Ao mesmo tempo que a sociedade capitalista procura empurrar, por todos os meios, a mulher trabalhadora para uma situação degradante, ela priva, por lei, a mulher dos seus direitos mais elementares.

Para sustentar esta situação de superexploração, a burguesia utiliza uma impiedosa repressão sobre a mulher trabalhadora. Esta repressão se dá tanto no embrutecimento intelectual forçado a que a mulher trabalhadora é submetida — mais ainda do que o trabalhador do sexo masculino — como na violência e nas humilhações a que a mulher é submetida em todos os lugares e, particularmente, no trabalho, onde a prepotência dos chefetes se junta a diversas formas de humilhação e abuso sexual.

O caminho para enfrentar esta situação é o da organização das mulheres nas Secretarias de Mulheres dos Sindicatos.

É necessário abandonar, imediatamente, a política identitária, que tomou conta da maior parte da esquerda nacional, uma ideologia reacionária que, embora se apresente como progressiva, alegando a defesa dos setores oprimidos, como mulheres, negros, índios, LGBTs etc., desvia a luta contra o sistema capitalista para uma luta contra indivíduos. Substitui a luta de classes pela “luta” cultural, ou seja, não visa mudar a situação material desses setores, mas tão somente mudar a opinião das pessoas.

Essas Secretarias de Mulheres devem coordenar a luta contra as atuais condições de vida e de trabalho das mulheres e se organizar em comitês de trabalho, com a tarefa de organizar, entre as mulheres, a luta por um programa de ação; organizar a luta pelas reivindicações fundamentais das mulheres; organizar o trabalho de educação política e sobre os problemas específicos das mulheres da categoria. A tarefa imediata dessas Secretarias deve ser mobilizar as bancárias para se engajarem nas próximas atividades que se aproximam. Dentro dessas atividades, organizar as mulheres e os trabalhadores em geral para a próxima Campanha Salarial da Categoria Bancária, que já se avizinha.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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